A segunda temporada de Sequestro (Hijack) estreou no Apple TV+ com o episódio “Sinal” e deixa claro, logo nos primeiros minutos, que a série estrelada por Idris Elba não pretende repetir exatamente a mesma fórmula que a tornou um sucesso inicial. Se antes o suspense se desenrolava a bordo de um avião, agora o cenário é o subterrâneo de Berlim, dentro de um trem do metrô. A mudança de ambiente funciona como um teste: será que a intensidade da primeira temporada consegue se manter longe dos céus?
O que acontece na 2ª temporada da série
Na trama, Sam Nelson retorna como um negociador marcado pelos eventos do sequestro do voo KA29, ocorrido dois anos antes. Em Berlim para encontrar Olivia Thatcher, na Embaixada Britânica, ele acredita ter reunido provas que apontam para o verdadeiro mentor daquele crime. Antes mesmo de chegar à reunião, porém, Sam se vê envolvido em uma nova situação de risco ao embarcar no trem U5 do U-Bahn, onde passa a notar comportamentos que considera suspeitos. A série trabalha com a expectativa do público, sugerindo desde cedo que outro sequestro está prestes a acontecer.
O episódio intercala a perspectiva de Sam com a investigação da polícia alemã, liderada por Winter, que descobre indícios de fabricação de explosivos e o uso de um crachá falso do metrô. Paralelamente, o comportamento nervoso do maquinista Otto e a presença de um homem disfarçado de operário nos túneis criam um clima constante de alerta. O roteiro constrói tensão ao fazer o espectador acreditar que a ameaça é imediata, enquanto pequenas peças do quebra-cabeça são distribuídas ao longo da narrativa.
Um dos acertos do episódio é explorar o impacto psicológico da primeira temporada sobre Sam Nelson. Idris Elba interpreta o personagem como alguém permanentemente em estado de vigilância, incapaz de ignorar qualquer sinal fora do padrão. Essa postura faz com que ele suspeite de pessoas que, à primeira vista, parecem inofensivas, o que reforça o tema do trauma e da paranoia pós-crise. Ao mesmo tempo, o roteiro utiliza essas falsas pistas como estratégia para esconder a verdadeira engrenagem por trás dos acontecimentos.
Quando a reviravolta finalmente se revela, fica claro que o sequestro do trem não é exatamente o centro da história, mas parte de um plano maior que se conecta diretamente ao passado de Sam e à segurança de sua ex-esposa, Marsha. A revelação reposiciona a temporada, indicando que o foco será menos na repetição de uma situação limite e mais nas consequências prolongadas do primeiro grande evento da série.
Em termos de ritmo, “Sinal” é mais contido do que a estreia da primeira temporada. O episódio demora a engrenar, investindo tempo na ambientação e na construção de expectativa. Ainda assim, o desfecho sugere que essa abordagem é deliberada, preparando o terreno para uma escalada de conflitos nos capítulos seguintes. A lembrança inevitável é de séries como 24 Horas, nas quais cada decisão carrega repercussões imediatas.
Crítica: vale à pena assistir a 2ª temporada de Sequestro no AppleTV+?
No fim, a segunda temporada de Sequestro (Hijack) começa de forma calculada, apostando menos no choque imediato e mais na manipulação da expectativa do público. Idris Elba segue como o principal trunfo da produção, sustentando a tensão mesmo quando a ação ainda está contida. Se o plano apresentado em “Sinal” se desenvolver com a mesma intensidade prometida, a série tem boas chances de repetir — e talvez ampliar — o impacto de sua estreia original.