A adaptação de best-sellers românticos para o cinema se tornou um caminho frequente em Hollywood nos últimos anos. Seguindo essa tendência, Se Não Fosse Você (Regretting You, 2025) chega ao streaming Paramount+ após uma campanha nos cinemas e busca transformar em imagens a história criada por Colleen Hoover em seu romance homônimo. Dirigido por Josh Boone, o longa combina drama familiar, romance e reflexão sobre luto, com foco em uma relação complicada entre mãe e filha. Confira a crítica do filme.
Um drama sobre perdas e segredos familiares
A narrativa acompanha Morgan Grant, interpretada por Allison Williams, uma mulher que construiu sua vida ao lado do namorado da adolescência. A relação parece estável até que um acidente de carro muda completamente o rumo da família. A tragédia não apenas provoca perdas irreparáveis, como também revela segredos que estavam escondidos dentro do círculo familiar.
A partir desse evento, Morgan e sua filha Clara precisam lidar com o impacto emocional da revelação e com a reconstrução de suas próprias identidades. Enquanto a mãe enfrenta memórias e dúvidas sobre o casamento, a adolescente passa por um processo próprio de amadurecimento. Essa estrutura faz com que o filme trabalhe duas perspectivas diferentes sobre o luto e sobre as consequências de decisões tomadas no passado.
Boone, conhecido por adaptar romances focados em emoções intensas — como fez em A Culpa é das Estrelas — adota aqui uma direção que privilegia momentos íntimos. A câmera frequentemente permanece próxima dos personagens, permitindo que os conflitos internos sejam o motor da narrativa.
McKenna Grace conduz o lado emocional da história de Se Não Fosse Você
Embora a trama se organize em torno de duas protagonistas, é Clara quem se torna o centro emocional do filme. Interpretada por McKenna Grace, a personagem representa o olhar de alguém que ainda está aprendendo a lidar com perdas e contradições familiares.

Grace constrói uma atuação baseada em dúvidas e reações impulsivas. Clara não entende totalmente o que está acontecendo ao seu redor, e essa confusão se torna o elemento que conecta o público à história. O roteiro explora a forma como jovens lidam com o luto e com a sensação de que os adultos escondem verdades difíceis.
Dentro desse processo, surge o relacionamento com Miller, vivido por Mason Thames. A relação introduz momentos de leveza na narrativa e cria um contraponto aos temas mais pesados da trama. Esses trechos funcionam como respiro dentro de uma história dominada por conflitos familiares.
Relações reconstruídas após a tragédia
Outro eixo da trama envolve a aproximação entre Morgan e Jonah, personagem de Dave Franco. Ambos compartilham a dor causada pelo acidente e passam a desenvolver uma conexão baseada nessa experiência comum.
Essa relação adulta contrasta com o romance adolescente de Clara e Miller. Enquanto os jovens vivem descobertas típicas da idade, Morgan e Jonah enfrentam sentimentos mais complexos, marcados por culpa e lembranças.
O passado de Morgan também ganha espaço por meio de flashbacks que mostram o início de seu relacionamento com o marido, interpretado por Scott Eastwood. Essas sequências ajudam a contextualizar as escolhas da personagem e a explicar como segredos foram se acumulando ao longo dos anos.

Crítica: vale à pena assistir Se Não Fosse Você no Paramount+?
Um drama familiar focado em reconstrução
“Se Não Fosse Você” trabalha com temas recorrentes do romance contemporâneo: perda, reconciliação e segundas chances. A adaptação procura equilibrar esses elementos ao alternar momentos de introspecção com situações de aproximação entre os personagens.
A direção de Josh Boone aposta em uma abordagem simples, deixando que as relações entre mãe e filha conduzam o ritmo da narrativa. Nesse sentido, o filme funciona principalmente como um drama sobre reconstrução emocional.
Mesmo sem reinventar o gênero, Se Não Fosse Você encontra força nas interpretações e na maneira como apresenta diferentes formas de lidar com o luto. Ao final, a história sugere que a superação não ocorre de forma imediata, mas por meio de conexões que surgem depois da perda.