Santita (2026) Crítica da Série Mexicana da Netflix Santita (2026) Crítica da Série Mexicana da Netflix

Santita (2026) | Crítica da Série Mexicana | Netflix

A série mexicana Santita, disponível na Netflix, aposta em uma combinação de romance, drama psicológico e questões sociais para construir sua narrativa. Estrelada por Paulina Dávila e Gael García Bernal, a produção dirigida por Rodrigo García se destaca mais pela construção de personagem e pelas atuações do que pela consistência de seu roteiro.

Crítica de Santita, série mexicana da Netflix

Com sete episódios de cerca de 35 minutos, Santita acompanha María José Cano, uma ginecologista e obstetra que teve a vida transformada após um acidente que a deixou paraplégica. Anos depois, já estabelecida profissionalmente em Tijuana, ela se vê diante de um reencontro inesperado com Alejandro, o homem que abandonou no altar antes da tragédia.

A premissa sugere uma história de reconexão amorosa, mas a série rapidamente amplia seu escopo ao explorar temas como identidade, culpa e autossabotagem. Santita está longe de ser uma protagonista idealizada: seu vício em jogos, sua postura emocionalmente distante e suas escolhas questionáveis a tornam uma figura complexa. Essa construção evita estereótipos comuns e confere autenticidade à narrativa.

Grande parte desse impacto vem da atuação de Paulina Dávila. A atriz sustenta a série com uma interpretação que equilibra fragilidade e controle, traduzindo as contradições da personagem sem recorrer a exageros. Já Gael García Bernal imprime ao personagem Alejandro uma presença mais sutil, baseada no carisma e em uma abordagem contida. A química entre os dois funciona especialmente bem nos momentos iniciais, quando o passado do casal é sugerido com economia de informações.

Entre o romance e o drama psicológico

Um dos aspectos mais interessantes de Santita é sua dificuldade — ou talvez escolha — de não se encaixar completamente em um único gênero. A série transita entre o romance e o drama psicológico, explorando tanto o reencontro amoroso quanto os conflitos internos da protagonista.

O episódio inicial estabelece bem esse universo. Sem recorrer a longos flashbacks, a narrativa apresenta o passado de forma gradual, permitindo que o espectador compreenda as mudanças na personalidade de Santita após o acidente. Antes disciplinada, ela passa a adotar comportamentos autodestrutivos, o que influencia diretamente suas relações.

Ao mesmo tempo, a série incorpora questões sociais relevantes. A atuação da protagonista em procedimentos ilegais e sua relação com pacientes de diferentes classes sociais ajudam a construir um retrato mais amplo do contexto em que a história se insere. Esses elementos ampliam o alcance da narrativa, ainda que nem sempre sejam desenvolvidos com profundidade.

Problemas de ritmo e narrativa

Apesar de uma base promissora, Santita enfrenta dificuldades ao longo de sua execução. A primeira metade da temporada constrói um suspense eficiente, sugerindo conflitos emocionais e morais que poderiam levar a desdobramentos mais complexos. No entanto, à medida que os episódios avançam, a trama se torna previsível.

O ritmo mais lento, que inicialmente contribui para o desenvolvimento da personagem, passa a prejudicar o andamento da história. Em diversos momentos, a série parece mais preocupada em manter uma atmosfera de tensão do que em avançar narrativamente. Isso resulta em episódios que se apoiam em diálogos introspectivos, mas com pouca evolução dramática.

Santita (2026) Crítica da Série Mexicana da Netflix

Ainda assim, há méritos claros na abordagem. A representação de uma protagonista com deficiência é tratada como parte de sua identidade, e não como um recurso dramático isolado. A direção também investe em uma estética mais sóbria, com elementos visuais que refletem o estado emocional da personagem.

Vale a pena assistir Santita na Netflix?

No balanço geral, Santita se sustenta principalmente pelas atuações e pela construção de sua protagonista. O roteiro apresenta inconsistências e perde força na segunda metade, mas o conjunto ainda oferece momentos de interesse, especialmente para quem busca histórias mais centradas em personagens.

A série não entrega plenamente o potencial de sua premissa, mas consegue se destacar ao abordar temas complexos sem simplificações. Para o público que aprecia dramas contemplativos e narrativas focadas em conflitos internos, Santita pode ser uma experiência válida dentro do catálogo da Netflix.