Salve Geral Irmandade Crítica e Fatos do Filme Brasileiro da Netflix Salve Geral Irmandade Crítica e Fatos do Filme Brasileiro da Netflix

Salve Geral: Irmandade (2026) | Crítica do Filme | Netflix

Salve Geral: Irmandade marca a expansão do universo da série Irmandade no catálogo da Netflix ao apostar em um longa-metragem que amplia o conflito entre crime organizado, forças policiais e população civil em São Paulo. Dirigido por Pedro Morelli e escrito em parceria com Julia Furrer, o filme assume desde os primeiros minutos um compromisso claro com a tensão constante, evitando introduções explicativas e lançando o espectador diretamente em um cenário de instabilidade urbana. Confira a nossa crítica.

A narrativa se estrutura como um thriller policial que acompanha personagens atravessados por decisões extremas em um ambiente onde instituições falham de forma sistemática. O longa dialoga diretamente com a série original, mas não exige conhecimento prévio para ser compreendido, funcionando como uma obra autônoma que reforça temas já conhecidos do universo de Irmandade, como corrupção, lealdade, vingança e desigualdade social.

O elenco reúne nomes centrais da produção brasileira contemporânea. Naruna Costa sustenta boa parte da carga dramática ao interpretar uma personagem que transita entre a liderança criminosa e conflitos pessoais profundos. Seu Jorge aparece em um papel que reforça a presença simbólica do poder masculino dentro desse universo violento, enquanto David Santos contribui para a dinâmica emocional da trama ao representar personagens pressionados por escolhas irreversíveis. O conjunto funciona de forma coesa, sem performances deslocadas do tom geral do filme.

O roteiro evita soluções simplistas e trabalha a violência como consequência direta de relações de poder mal resolvidas. Em vez de glorificar confrontos, Salve Geral: Irmandade opta por mostrar como cada ação gera efeitos em cadeia, afetando personagens que, muitas vezes, não estão diretamente envolvidos nas disputas centrais. Esse olhar se aproxima mais de um retrato social do que de um filme de ação tradicional, ainda que perseguições, tiroteios e explosões façam parte da encenação.

Visualmente, o longa constrói uma São Paulo fragmentada, marcada por contrastes entre espaços abertos dominados pelo caos e ambientes fechados que reforçam a sensação de cerco. A fotografia privilegia cenas noturnas e uma paleta mais contida, reforçando o clima de insegurança permanente. A cidade não funciona apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo da narrativa, refletindo o colapso das relações entre Estado, crime e cidadãos comuns.

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O ritmo, em alguns momentos, desacelera para insistir em situações semelhantes de confronto, o que pode causar certa repetição estrutural no segundo ato. Ainda assim, essa escolha parece alinhada à proposta de exaustão que o filme deseja transmitir, colocando o público em contato direto com a sensação de desgaste vivida pelos personagens.

O design de som e a trilha musical contribuem para a construção da atmosfera, utilizando ruídos urbanos, sirenes e batidas discretas para manter a tensão constante. O som atua como extensão do espaço urbano retratado, reforçando a ideia de um ambiente em estado permanente de alerta.

Crítica: vale à pena assistir Salve Geral: Irmandade na Netflix?

Salve Geral: Irmandade não busca oferecer respostas ou saídas fáceis para os dilemas que apresenta. Ao contrário, aposta em um desfecho que reforça a circularidade da violência e a dificuldade de romper com estruturas já estabelecidas. Como produção derivada, o filme amplia o universo da série ao mesmo tempo em que se sustenta como um retrato duro de uma cidade sitiada, consolidando-se como uma aposta relevante da Netflix no cinema brasileiro de gênero.