Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025) - Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série da HBO Max Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025) - Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série da HBO Max

Rivalidade Ardente (2025) | Crítica da Série | HBO Max

A série Rivalidade Ardente (Heated Rivalry), criada por Jacob Tierney, acaba de estrear no Brasil pelo streaming HBO Max com três episódios já disponíveis (assista), de um total de seis. Baseada nos livros da série Game Changers, da autora Rachel Reid, a produção aposta em um romance queer ambientado no universo competitivo do hóquei no gelo profissional, combinando rivalidade esportiva, desejo e uma relação construída em segredo ao longo dos anos.

A trama acompanha Shane Hollander (Hudson Williams) e Ilya Rozanov (Connor Storrie), dois jogadores de times rivais da NHL que desenvolvem uma relação intensa fora das quadras. Shane é apresentado como o prodígio criado em um ambiente estável e cuidadosamente gerenciado, enquanto Ilya surge como o oposto: um atleta moldado por um sistema familiar rígido, marcado por perdas e repressões. Essa oposição é o eixo dramático da série e também o motor de sua atração central.

Desde os primeiros episódios, Rivalidade Ardente deixa claro que o sexo ocupa um espaço narrativo relevante. As cenas de intimidade são numerosas, longas e estilizadas, refletindo com bastante fidelidade o tom do material original. Para parte do público, esse aspecto funciona como diferencial, especialmente por tratar o desejo entre homens com naturalidade e sem recorrer a subterfúgios. Para outros, a repetição acaba revelando um limite: quando a relação se ancora quase exclusivamente no físico, o desenvolvimento emocional avança em ritmo mais lento do que poderia.

Essa percepção se intensifica nos diálogos iniciais entre Shane e Ilya, que frequentemente giram em torno de provocações e respostas curtas, reforçando a dinâmica de rivalidade, mas oferecendo pouco aprofundamento psicológico. As próprias cenas de hóquei, que poderiam ampliar o contexto dramático e simbólico da história, aparecem de forma pontual e funcional, sem grande peso narrativo.

O terceiro episódio, no entanto, aponta para um certo equilíbrio ao introduzir uma trama paralela envolvendo Scott Hunter (François Arnaud) e Kip (Robbie GK). Esse segundo relacionamento adiciona camadas temáticas ligadas à autoaceitação, ao medo da exposição e às consequências emocionais de viver no armário, oferecendo um contraste mais introspectivo ao casal principal e ampliando o alcance dramático da série.

Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025) - Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série da HBO Max

Crítica: Rivalidade Ardente é uma boa série? Vale à pena assistir na HBO Max?

Do ponto de vista técnico, a direção de Jacob Tierney se mostra segura e alinhada ao espírito do livro. A encenação privilegia a proximidade física, os espaços privados e o tempo dilatado, enquanto a química entre Hudson Williams e Connor Storrie sustenta boa parte do envolvimento do espectador. Storrie constrói um Ilya confiante e defensivo, enquanto Williams aposta em gestos contidos e expressões sutis para compor Shane, criando um contraste que funciona em cena.

As comparações com séries como Queer as Folk surgem naturalmente, mas Rivalidade Ardente opera dentro de outra lógica: menos interessada em retratar um panorama social amplo e mais focada na fantasia romântica de dois personagens específicos. O desafio, ao menos nesses primeiros episódios, é equilibrar essa proposta com um arco emocional mais consistente. Ainda assim, a série encontra seu público e deixa claro que, para além da provocação inicial, há espaço para crescimento nos capítulos finais.