A série francesa Rainhas da Grana (Cash Queens, ou Les Lionnes no original), recém-adicionada ao catálogo da Netflix, aposta em uma mistura de comédia, drama e suspense ao acompanhar um grupo de mulheres que decide recorrer a assaltos bancários para escapar de situações financeiras extremas. Sob a direção de Olivier Rosemberg, a produção tenta se diferenciar dentro do já saturado subgênero de histórias sobre roubos, mas encontra dificuldades para estabelecer um tom consistente ao longo dos episódios. Confira a nossa crítica da série.
A trama da série francesa Cash Queens
Logo no início, Rainhas da Grana chama atenção pelo apuro visual. A paleta de cores saturadas e a fotografia com aspecto quase luminoso criam uma identidade estética própria, distante das produções americanas mais convencionais sobre assaltos. Esse impacto inicial funciona como convite para o espectador seguir adiante. No entanto, conforme a narrativa avança, a série passa a depender excessivamente desse estilo visual, enquanto o roteiro perde força e clareza.
A trama se passa no fim dos anos 1980 e gira em torno de Rosa, funcionária de banco que vê sua vida desmoronar após o marido ser preso por desvio de dinheiro. Mesmo trabalhando para sustentar os filhos, ela descobre que quase toda sua renda é destinada ao pagamento das dívidas deixadas por ele. Paralelamente, Sofia enfrenta a ameaça de perder a guarda dos filhos devido às condições precárias de sua casa. A elas se juntam Kim, Alex e outras personagens, todas unidas pela falta de alternativas financeiras. A solução encontrada pelo grupo é arriscada: assaltar justamente o banco onde Rosa trabalha, utilizando seu conhecimento interno sobre os protocolos de segurança.
A premissa, em tese, oferece material para uma narrativa envolvente. Porém, a execução opta por um caminho que oscila entre o cômico e o trágico sem permitir que nenhuma dessas abordagens se desenvolva plenamente. As situações desesperadas vividas pelas personagens são frequentemente tratadas de forma exagerada, o que enfraquece o impacto emocional e dificulta a empatia do público. A série tenta ser uma tragicomédia, mas não constrói o equilíbrio necessário para sustentar esse registro.
Inspirada livremente em uma história real ocorrida no sul da França entre 1989 e 1990 — quando um grupo de mulheres ficou conhecido por uma sequência de assaltos a bancos —, Rainhas da Grana também busca apresentar um discurso feminista por meio do humor. A ideia é válida, mas a abordagem acaba tornando algumas personagens caricatas, o que compromete a proposta. Em vez de reforçar o comentário social, o tom adotado por vezes faz com que as protagonistas pareçam menos conscientes das próprias escolhas.
O elenco feminino demonstra boa química, especialmente nas interações entre Rosa e Kim, enquanto Sofia adiciona uma camada dramática mais evidente à narrativa. Chloe, por sua vez, acaba concentrando um dos arcos mais interessantes da série, com implicações narrativas que se destacam em meio ao caos geral do roteiro. Ainda assim, os relacionamentos amorosos apresentados carecem de desenvolvimento, surgindo mais como elementos funcionais do que como vínculos emocionalmente relevantes.

Em termos de ritmo, a série é acelerada desde o primeiro episódio, o que pode confundir o espectador e diluir momentos que pediriam mais atenção. Além disso, apesar de ambientada no final dos anos 1980, Rainhas da Grana pouco explora esse contexto histórico, limitando-se a escolhas estéticas que poderiam facilmente se encaixar em uma ambientação contemporânea.
Crítica da série: vale à pena assistir Rainhas da Grana na Netflix?
No balanço final, Rainhas da Grana não consegue definir se deseja ser uma comédia de assalto, um drama social ou um suspense. A indecisão afeta a experiência e impede que a série alcance maior envolvimento emocional. Embora tenha uma proposta interessante e um visual marcante, a produção deixa a sensação de que exige muito do espectador sem oferecer uma recompensa narrativa proporcional. Para quem busca uma história de assalto com tensão bem construída, esta não é a melhor escolha, mas fãs de comédias europeias podem se interessar pela abordagem adotada.