Disponível no Prime Video e figurando entre os títulos mais assistidos da plataforma, Queimando o Filme (Picture This, 2025) aposta em uma premissa conhecida para dialogar diretamente com o público adolescente e jovem-adulto. Dirigido por Prarthana Mohan, o longa é um remake da comédia australiana Cinco Encontros às Cegas e acompanha uma protagonista que passa a acreditar que encontrará o amor verdadeiro após uma profecia envolvendo seus próximos relacionamentos.
A história gira em torno de Pia (Simone Ashley), fotógrafa em início de carreira que tenta equilibrar a vida profissional instável, conflitos familiares e a pressão social para se casar. Durante os preparativos do casamento da irmã mais nova, Pia tem sua mão lida por um vidente, que afirma que ela conhecerá seu futuro marido nos próximos cinco encontros. A partir disso, o filme se organiza como uma sequência de situações românticas previsíveis, todas costuradas por eventos familiares tradicionais e encontros arranjados.
Como é comum no gênero, Queimando o Filme estrutura sua narrativa a partir de arquétipos. Cada encontro serve mais como obstáculo cômico do que como desenvolvimento real da protagonista. Há o pretendente rico e distante, o alternativo excêntrico, o conservador deslocado e, claro, o ex-namorado que retorna ao convívio de Pia durante o mês de celebrações do casamento. Charlie, interpretado por Hero Fiennes Tiffin, representa o interesse amoroso central, mas sua presença carece de tensão dramática mais consistente.
O grande trunfo do filme está em Simone Ashley. Conhecida por Bridgerton, a atriz sustenta a narrativa com presença de cena e timing cômico, tornando Pia uma personagem funcional dentro do que o roteiro propõe. Ainda assim, o texto não explora plenamente o conflito entre independência pessoal e expectativas familiares, optando por soluções fáceis e rápidas, típicas da comédia romântica voltada ao streaming.

Visualmente, o filme aposta em cores vibrantes, montagem ágil e trilha sonora leve, reforçando seu apelo juvenil. A ambientação cultural indiana no contexto britânico aparece como pano de fundo, mas raramente influencia de forma decisiva o humor ou os arcos dramáticos, sendo utilizada mais como elemento estético do que narrativo.
Crítica: Vale à pena assistir Queimando o Filme no Prime Video?
Em comparação com recentes comédias românticas que tentaram renovar o gênero ao misturar romance com outros estilos ou apostar em diálogos mais afiados, Queimando o Filme se mantém dentro de uma zona segura. Não há riscos formais nem subversões relevantes da fórmula. O resultado é um filme funcional, pensado para consumo rápido, que entrega conforto narrativo em vez de surpresa.
No fim, Queimando o Filme cumpre o que promete: entretenimento leve, ritmo acessível e uma protagonista carismática. Para o público adolescente e fãs de comédias românticas tradicionais, o longa pode funcionar como uma opção descompromissada no catálogo do Prime Video. Já para quem busca inovação no gênero, a experiência tende a ser esquecível, ainda que agradável enquanto dura.