A Netflix amplia seu catálogo de animes autorais com Pelo Prisma do Amor (Love Through a Prism), produção que marca o retorno da consagrada mangaká Yoko Kamio a uma história original ambientada fora do Japão. Conhecida mundialmente por Boys Over Flowers, a autora agora aposta em um drama de amadurecimento situado na Londres do início do século XX, combinando arte, choque cultural e romance. A animação é produzida pelo Wit Studio, responsável por títulos como Attack on Titan e Vivy, o que já indica um cuidado técnico acima da média. Leia a crítica do anime.
A trama do anime
A série acompanha Lili Ichijoin, uma jovem artista japonesa que decide deixar o Japão para estudar pintura na prestigiada Academia de Arte de Saint Thomas, na Inglaterra. A decisão representa um risco pessoal e familiar. Lili carrega o peso de uma exigência clara: em seis meses, precisa se tornar a melhor aluna da turma ou retornar ao país de origem para abandonar a carreira artística e assumir as expectativas impostas por sua mãe. Esse conflito inicial estabelece o eixo dramático da narrativa e ajuda a contextualizar as pressões sociais enfrentadas pela protagonista.
O primeiro episódio apresenta a chegada de Lili à Inglaterra de forma simbólica, com uma sequência silenciosa e contemplativa em um navio a vapor. A cena já sinaliza o tom da série, que aposta mais na observação e na construção emocional do que em conflitos explosivos. Em Londres, Lili encontra apoio em Dorothy Brown, sua colega de quarto, que funciona como ponte cultural e emocional nesse novo ambiente. É por meio dela que a protagonista conhece o status quase mítico de Kit Church, o aluno mais talentoso da academia e seu principal concorrente.
Kit surge inicialmente como uma figura excêntrica e difícil de decifrar. As primeiras interações entre ele e Lili são marcadas por estranhamento e ruídos de comunicação, o que reforça tanto o contraste de personalidades quanto as diferenças culturais. Ainda assim, a série deixa claro desde cedo que a arte será o elo central entre os dois personagens, funcionando como linguagem comum em meio às barreiras emocionais e sociais.
Visualmente, Pelo Prisma do Amor se destaca. A recriação da Londres do período é detalhada, com atenção à arquitetura, às ruas e à moda da época. A direção de arte valoriza a paleta de cores e o uso da luz, enquanto as cenas ambientadas na academia exploram diferentes estilos e técnicas de pintura. O uso pontual de elementos em 3D se integra bem à animação tradicional, sem quebrar a imersão.
Narrativamente, o anime se aproxima de outras obras centradas no processo criativo e no amadurecimento, como Blue Period, Honey and Clover e Arte. Há também uma sensibilidade que remete a produções do Studio Ghibli, especialmente na forma como o cotidiano, os silêncios e os pequenos gestos são tratados como parte essencial da jornada dos personagens.

Crítica: vale à pena assistir Pelo Prisma do Amor na Netflix?
O primeiro episódio indica que a série não se limitará a um romance convencional. Questões como expectativas familiares, papéis de gênero, xenofobia velada e identidade cultural surgem de maneira sutil, sem discursos diretos. Pequenas situações de humor, como equívocos culturais envolvendo Lili, ajudam a suavizar esses temas sem esvaziá-los.
Pelo Prisma do Amor estreia com uma proposta clara e bem executada. A combinação de drama de época, arte e romance oferece um ponto de entrada acessível para diferentes públicos. Para quem busca um anime focado em personagens, com ritmo contemplativo e cuidado estético, a nova produção da Netflix surge como uma opção consistente e promissora.