Lançada pela Netflix em 2026, Patinando no Amor (Finding Her Edge) é uma série canadense de oito episódios criada pelo showrunner Jeff Norton e baseada no romance de Jennifer Iacopelli. A produção aposta no universo da patinação artística para dialogar com o público adolescente, recuperando temas clássicos do gênero coming-of-age, como ambição, identidade, rivalidade familiar e escolhas difíceis em momentos decisivos da juventude.
A proposta remete imediatamente a séries dos anos 2000 que conquistaram uma geração ao tratar o esporte como metáfora para crescimento pessoal. Assim como Make It or Break It, Finding Her Edge busca representar jovens que enfrentam pressão constante por desempenho, medo do fracasso e a dificuldade de conciliar expectativas externas com desejos individuais. O gelo funciona como palco, mas o conflito central está fora dele.
A narrativa acompanha as três filhas da tradicional família Russo, herdeiras de um legado construído pelos ex-campeões Will e Sarah Russo. A protagonista é Adriana, a filha do meio, que retorna à patinação após um longo período afastada. Impedida de competir devido ao descompasso físico com seu antigo parceiro, ela precisa recomeçar praticamente do zero, lidando com inseguranças, cobranças internas e a busca por um novo par capaz de acompanhar sua evolução.
É nesse contexto que surge Brayden, um jovem talentoso e indisciplinado, cuja habilidade no gelo contrasta com dificuldades fora dele. Ao mesmo tempo, Adriana precisa lidar com a presença de Freddie, seu antigo parceiro, o que adiciona camadas emocionais à história. Paralelamente, a série desenvolve os arcos das irmãs: Elise, a mais velha, marcada por arrogância e frustração silenciosa, e Mimi, a caçula, curiosa, questionadora e em conflito com o papel que esperam que ela desempenhe.
Embora adaptada de um romance contemporâneo, a obra carrega influência direta de Persuasão, de Jane Austen, o que se reflete na estrutura dos relacionamentos, nas escolhas adiadas e no peso do passado sobre o presente. Essa mistura entre referências clássicas e ambientação moderna dá identidade à série, ainda que o visual aposte em uma estética suave e pouco contrastada, típica de produções juvenis recentes.
O elenco é um dos pontos consistentes da produção. Madelyn Keys sustenta bem a protagonista, transmitindo determinação e vulnerabilidade. Alexander Beaton constrói um personagem rebelde sem cair em estereótipos exagerados, enquanto Alice Malakhov, como Mimi, se destaca pela naturalidade e pelos diálogos bem distribuídos ao longo da temporada. A escolha por utilizar patinadores reais ou dublês especializados contribui para a credibilidade das sequências no gelo, que são visualmente bem executadas.
Crítica da série: vale à pena assistir Patinando no Amor na Netflix?
Patinando no Amor se posiciona claramente como uma série voltada ao público mais jovem, especialmente entre 13 e 15 anos. Seu maior desafio está em se destacar em meio a produções mais chamativas e aceleradas, comuns no streaming atual. Ainda assim, a série apresenta um universo bem definido e conflitos claros, mesmo evitando riscos narrativos maiores.
Sem reinventar o gênero, Finding Her Edge entrega uma história coerente, acessível e com potencial de crescimento em temporadas futuras. É uma produção que aposta mais na constância do que no impacto imediato, o que pode limitar seu alcance, mas não compromete sua proposta central.