O episódio 3 da segunda temporada de Paradise, já disponível no Disney+, muda novamente o eixo da narrativa. Depois de dois capítulos focados em Annie e Xavier, a série retorna ao núcleo político e estratégico da trama para colocar Sinatra no centro. O resultado é um episódio denso, fragmentado e revelador, que amplia o escopo do apocalipse e sugere que o pior ainda está por vir. Leia a crítica e o resumo do que rolou no episódio 3.
Recapitulação do episódio 3 da 2ª temporada de Paradise
Um apocalipse dividido em atos
Mantendo a estrutura não linear que define Paradise, o episódio volta nove anos no tempo para mostrar uma conversa crucial entre Sinatra e Louge, o cientista responsável por alertar sobre o colapso do planeta. É aqui que surge a informação mais inquietante do capítulo: tudo o que foi vivido até agora — o caos inicial, o inverno de cinzas e a lenta retomada da superfície — representa apenas o “primeiro ato” do apocalipse.
Segundo Louge, quando o planeta atingir um novo equilíbrio, os gases de efeito estufa aprisionados provocarão um aumento extremo de temperatura e pressão, transformando a Terra em algo semelhante a Vênus. Oceanos evaporariam, o ar se tornaria irrespirável e a superfície seria esmagada pela pressão atmosférica. Essa revelação redefine completamente a lógica da série: o bunker do Colorado não foi projetado apenas para resistir a alguns anos de crise, mas para enfrentar um cenário ainda mais extremo e duradouro.
É nesse contexto que nasce o chamado Projeto Colorado, o verdadeiro “plano paralelo” de Sinatra, iniciado muito antes de Cal assumir a presidência. Enquanto Cal via o bunker como solução suficiente, Sinatra já enxergava suas limitações.
Kane, Henry e a escolha pelo caminho violento
Os flashbacks mostram que Sinatra encontrou resistência para avançar com seu projeto secreto. O incorporador Henry Miller, dono da Vestige Quantum, recusava-se a vender sua empresa, essencial para os planos de Sinatra. É então que Kane, pai de Cal, sugere abandonar qualquer tentativa de negociação direta e recorrer a métodos mais extremos.
Relutante, mas pressionada pelo tempo, Sinatra aceita. É assim que entra em cena Billy, um mercenário encarregado de convencer Henry a assinar os documentos — ou eliminá-lo. A conversa entre Billy e Henry em um bar introduz conceitos como superposição e entrelaçamento quântico, e também revela um detalhe fundamental: Henry considerava Link como um filho.

Henry não assina os papéis. Em vez disso, escreve seu endereço residencial. Ao confrontá-lo em casa, Billy descobre que Alex, esposa de Henry, sofre de doença de Huntington e depende dele há anos. Ciente de que morreria de qualquer forma, Henry pede apenas duas coisas: voltar para casa antes do fim e garantir que Link não seja envolvido. Billy mata Henry, mas poupa Link, cumprindo parcialmente o último pedido.
O enigma de Alex e os sinais de algo maior
O episódio levanta questões que ainda não têm resposta clara. A Alex mencionada como esposa de Henry é a mesma Alex que, segundo Geiger, precisa ser morta ao chegar ao bunker? Henry realmente matou a esposa ou encenou sua morte? E por que Henry parecia prever sintomas como sangramentos nasais e dores de cabeça — exatamente o que vimos acontecer com Xavier e Link?
Esses elementos reforçam a sensação de que Paradise começa a flertar com uma ficção científica mais explícita. As referências ao entrelaçamento quântico, aliadas às visões e aos sintomas físicos, sugerem que certos personagens podem estar conectados a algo além do entendimento convencional — talvez até a diferentes linhas temporais ou estados da realidade.

Baines no poder e o “verão” como arma política
De volta ao presente, Sinatra desperta de um coma de cinco meses e encontra um Paraíso diferente. Baines agora ocupa a presidência, a repressão aumentou e movimentos de resistência começam a se organizar. Tentando recuperar a confiança popular, Baines propõe uma ideia aparentemente simples: permitir que os moradores vivenciem o verão novamente dentro da instalação.
O problema é que essa decisão consome recursos críticos. Parte significativa da energia dos reatores modulares sustenta o projeto secreto de Sinatra, algo considerado vital para a sobrevivência a longo prazo. Anders tenta alertar Baines de que elevar a temperatura pode transformar o bunker em uma armadilha mortal, mas é ignorado e preso. A prisão de Jeremy, líder do movimento do grafite, sinaliza que a dissidência começa a ser tratada como ameaça direta ao regime.
O interrogatório e a queda de Baines
Determinando mostrar autoridade, Baines manda interrogar Sinatra. Conectada a um polígrafo, ela é pressionada por Gabriela a revelar detalhes do projeto paralelo. Sinatra finge não saber de nada, levando Baines ao desespero. Sem obter respostas, ele decide colocá-la sob vigilância, acreditando ter neutralizado qualquer risco.
É um erro fatal. Ainda no hospital, Sinatra havia acionado um código criado por Billy: dizer que alguém precisa de uma “pastilha de menta” significa ordenar uma execução. Com Billy fora de cena, Jane assume esse papel. Durante uma corrida noturna, ela mata Baines e incrimina Nicole, colocando a faca em sua mão após deixá-la inconsciente.
A cena marca uma virada brutal na série: Sinatra elimina o presidente sem jamais sair das sombras.

Crítica do episódio 3 da nova temporada de Paradise
O projeto secreto de Sinatra e o futuro da série
O episódio se encerra com Gabriela entregando a Sinatra uma foto com um microfone escondido, tentando monitorar seus próximos passos. Ainda assim, fica a dúvida se Sinatra não está um passo à frente, usando até essa vigilância a seu favor.
Quanto ao projeto secreto, o episódio não oferece respostas definitivas, mas amplia as possibilidades. Não parece se tratar apenas de proteção contra calor e pressão extremos. As pistas sugerem algo mais radical: talvez a transferência do bunker — e de seus habitantes — para outro “reino”, outra realidade ou estado quântico.
Se Paradise realmente seguir por esse caminho, a série deixará de ser apenas um drama pós-apocalíptico para se tornar uma ficção científica de escopo mais amplo. O episódio 3 não resolve os mistérios, mas deixa claro que o verdadeiro apocalipse ainda nem começou.