A estreia de Pânico 7 nos cinemas acontece após um dos períodos mais turbulentos da história da franquia. Três décadas depois do lançamento do filme original de 1996, a série retorna cercada por expectativas, polêmicas e mudanças criativas que poderiam facilmente ter comprometido o resultado final. Surpreendentemente, o novo capítulo se mostra mais organizado e funcional do que muitos imaginavam, ainda que carregue escolhas que dividem opiniões.
A produção de Pânico 7 foi marcada por rupturas significativas. O projeto inicialmente daria continuidade ao arco das irmãs Carpenter, personagens introduzidas nos filmes anteriores, mas acabou reformulado após a saída de nomes centrais do elenco e da equipe criativa. O controle da narrativa retorna, então, às mãos de Kevin Williamson, roteirista dos dois primeiros longas, que agora também assume a direção. Essa mudança redefine o foco da história e reposiciona o filme dentro da mitologia da série.
Desta vez, a trama acompanha Sidney Prescott, agora Sidney Evans, novamente interpretada por Neve Campbell. A personagem vive uma fase mais estável, casada, mãe de três filhos e proprietária de um pequeno café em Woodsboro. O centro dramático, no entanto, recai sobre sua filha adolescente, Tatum, vivida por Isabel May, que passa a ser alvo de uma nova onda de ataques do Ghostface. A escolha desloca o protagonismo para uma dinâmica intergeracional, explorando o impacto do passado violento de Sidney sobre a nova geração.
O mistério central se constrói a partir de um elemento que dialoga diretamente com teorias antigas dos fãs: a possibilidade do retorno de Stu Macher, personagem de Matthew Lillard. O roteiro utiliza conceitos ligados a inteligência artificial e manipulação de imagem para alimentar a dúvida, prolongando o suspense e questionando a confiabilidade do que é visto e ouvido. Essa abordagem atualiza a fórmula da franquia sem abandoná-la completamente.
Ao redor de Tatum, o filme apresenta um grupo de personagens que funciona como terreno fértil para falsas pistas e suspeitas. O namorado Ben, o obcecado por crimes reais Lucas e as amigas Hannah e Chloe são inseridos dentro da tradicional estrutura de mistério da série. O texto reconhece suas próprias regras e brinca com elas, especialmente no momento em que o assassino expõe suas motivações, em um discurso consciente de sua previsibilidade.
Narrativamente, Pânico 7 investe pesado em referências aos capítulos anteriores. Há menções diretas aos eventos recentes da franquia e um esforço claro de conectar o novo enredo ao legado construído desde os anos 1990. Em alguns momentos, o excesso de autocitações ameaça sobrecarregar a progressão da história, mas o tom adotado evita que o filme soe meramente cínico.

Crítica do filme: vale à pena assistir Pânico 7?
No aspecto técnico, o longa mantém o padrão da série: cenas de perseguição bem coreografadas, violência gráfica usada como elemento de impacto e sequências pensadas para provocar tensão mais do que medo absoluto. O terceiro ato aposta em soluções mais teatrais, o que pode afastar parte do público, mas também reforça o caráter lúdico que sempre definiu Pânico.
No balanço geral, Pânico 7 não reinventa a franquia nem representa seu ponto mais alto, mas se mostra mais sólido do que sua conturbada trajetória de bastidores sugeria. É um capítulo funcional, que respeita o passado, aponta caminhos para o futuro e oferece uma despedida plausível para Sidney Prescott, caso a série opte por seguir adiante com uma nova protagonista.