Os Sete Relógios de Agatha Christie (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da minissérie Netflix Os Sete Relógios de Agatha Christie (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da minissérie Netflix

Os Sete Relógios de Agatha Christie (2026) | Crítica da Série | Netflix

As histórias de mistério seguem como um dos gêneros mais consistentes da televisão, e a obra de Agatha Christie continua sendo uma fonte recorrente para novas adaptações. A Netflix aposta nessa tradição com Os Sete Relógios de Agatha Christie (Agatha Christie’s Seven Dials), minissérie em três episódios dirigida por Chris Sweeney, que revisita um dos romances menos conhecidos da autora e tenta atualizá-lo para o público contemporâneo. Leia a nossa crítica:

A trama da série

Ambientada nos anos 1920, a trama acompanha Eileen “Bundle” Brent, jovem que se envolve em uma conspiração após uma morte inesperada ocorrida durante uma estadia em Chimneys, uma tradicional propriedade inglesa. Depois de conhecer Gerry Wade em uma festa, Bundle cria expectativas de um novo encontro, interrompidas pela morte repentina do rapaz na manhã seguinte. A partir desse evento, a narrativa se desenvolve como um quebra-cabeça que combina sociedades secretas, jogos de poder e interesses políticos, conduzindo o espectador por um mistério que avança de forma constante.

A adaptação preserva a estrutura básica do romance Seven Dials, publicado originalmente em 1929, mas opta por uma abordagem que se afasta do ritmo clássico das histórias policiais da época. O texto soa moderno, com diálogos diretos e uma condução que poderia facilmente se passar por uma produção atual, caso o contexto histórico fosse alterado. Essa escolha aproxima a série de um público mais amplo, ainda que retire parte da identidade temporal do material original.

O maior trunfo de Os Sete Relógios de Agatha Christie está no elenco. Mia McKenna-Bruce assume o papel central com segurança, sustentando a narrativa a partir da perspectiva de Bundle. A personagem funciona como eixo dramático da história, sendo menos uma detetive tradicional e mais uma observadora ativa, que conecta pistas, personagens e motivações. Ao redor dela, nomes como Helena Bonham Carter, Martin Freeman, Cory Mylchreest e Nabhaan Rizwan ajudam a dar peso às interações e aos conflitos, mesmo quando o roteiro opta por soluções previsíveis.

A série acerta ao deslocar o foco do clássico “quem matou?” para a forma como o mistério é percebido e investigado. O interesse não está apenas na revelação final, mas no processo de observação, algo que aproxima a produção de outras obras recentes do gênero, nas quais o olhar do investigador é mais relevante do que o crime em si.

Por outro lado, decisões visuais comprometem parte da experiência. A fotografia aposta em tons desbotados e iluminação baixa, o que resulta em cenas excessivamente sombrias, mesmo em ambientes que sugeririam elegância ou festividade. O figurino, embora funcional, pouco contribui para diferenciar a série dentro do contexto histórico em que se passa, perdendo a oportunidade de reforçar identidade e atmosfera.

Os Sete Relógios de Agatha Christie (2026) - Crítica, fatos e curiosidades da minissérie Netflix

Narrativamente, a história se mantém envolvente, mas o formato de minissérie em três episódios nem sempre parece necessário. O enredo poderia ganhar mais equilíbrio e fluidez se fosse condensado em um longa-metragem, com edição mais precisa e ritmo mais coeso.

Crítica: vale à pena assistir Os Sete Relógios de Agatha Christie na Netflix?

Ainda assim, Os Sete Relógios de Agatha Christie cumpre sua proposta como entretenimento de mistério, especialmente para fãs da autora e do gênero policial. Não é uma adaptação definitiva, mas entrega uma experiência acessível, bem interpretada e alinhada ao padrão das produções de suspense da Netflix.