Os Observadores: Terror dirigido pela filha de Shyamalan, Ishana - Crítica, fatos e curiosidades Os Observadores: Terror dirigido pela filha de Shyamalan, Ishana - Crítica, fatos e curiosidades

Os Observadores (2024) | Crítica do Filme de Terror

Os Observadores (The Watchers, 2024) marca a estreia de Ishana Shyamalan na direção de longas-metragens, adaptando o livro de A.M. Shine e ampliando a presença da família Shyamalan no gênero do suspense fantástico. Disponível no streaming da HBO Max e, mais recentemente, no catálogo da Netflix, o filme apresenta uma narrativa que mistura fantasia sombria, tensão psicológica e um olhar curioso sobre o voyeurismo. A proposta é ambiciosa, mas o resultado nem sempre acompanha a intenção.

A trama de The Watchers (2024)

A protagonista é Mina (Dakota Fanning), uma jovem americana que vive em Galway e passa os dias na rotina silenciosa de uma loja de animais. À noite, assume personagens diferentes em bares, escapando da própria identidade. Durante uma viagem, seu carro quebra no meio de uma floresta isolada, iniciando uma experiência marcada pela ameaça constante. Quando os sons dos pássaros anunciam o perigo que se aproxima, Mina corre em busca de abrigo e encontra um bunker conhecido como “O Galinheiro”.

Dentro do local vivem Madeleine (Olwen Fouéré), Ciara (Georgina Campbell) e Daniel (Oliver Finnegan), presos ali há meses por uma força desconhecida que domina a floresta. O espaço tem três paredes sólidas e uma enorme janela de vidro espelhado. É por essa estrutura que, todas as noites, criaturas misteriosas observam o grupo, obrigando-os a se posicionar como se estivessem diante de uma vitrine. Sobreviver depende do cumprimento rigoroso de regras simples, mas inflexíveis: chegar antes do anoitecer, nunca faltar ao momento das observações e nunca tentar escapar no escuro. A quebra das normas resulta em ataques violentos e impossíveis de enfrentar.

A narrativa criada por Ishana Shyamalan se apoia em conceitos ricos e promissores, mas encontra dificuldades em articulá-los de forma coesa. A adaptação aposta em explicações longas, diálogos carregados e uma mitologia apresentada de maneira pouco fluida. Há boas ideias sobre duplicidade, performance e identidade — reforçadas pelo passado de Mina, pelo papagaio imitador que a acompanha e pela lógica dos observadores —, mas essas conexões aparecem de forma dispersa, mais como sugestões do que como propostas desenvolvidas.

Visualmente, o filme encontra seus melhores momentos nas sombras. As criaturas que habitam a floresta funcionam melhor quando vistas como silhuetas ou contornos distantes, criando tensão eficiente. Contudo, quando Shyamalan decide mostrar esses seres com clareza, a atmosfera construída cede lugar a um design familiar demais, diminuindo o impacto.

As atuações também enfrentam obstáculos. Dakota Fanning compõe uma protagonista introspectiva, mas o roteiro raramente oferece espaço para que suas emoções se desenvolvam organicamente. Georgina Campbell, mesmo com menos diálogos, entrega presença consistente, enquanto o restante do elenco tenta navegar por falas marcadas pela exposição.

Crítica: vale à pela assistir Os Observadores na Netflix ou HBO Max?

No conjunto, Os Observadores revela uma diretora que busca equilibrar elementos de fantasia e terror sem definir completamente o rumo da obra. O filme apresenta potencial, cenários intrigantes e uma tentativa evidente de construir uma nova mitologia dentro do gênero. Porém, a falta de foco enfraquece a jornada. Ainda assim, a estreia de Ishana Shyamalan demonstra interesse por temas contemporâneos e abre caminho para trabalhos futuros mais sólidos e seguros em sua identidade criativa.