A presença constante entre os títulos mais assistidos da HBO Max chama atenção para Olho por Olho (Eye for an Eye), terror dirigido por Colin Tilley que aposta em uma combinação de horror folclórico, drama psicológico e reflexão moral sobre culpa, omissão e desejo de vingança. Inspirado na graphic novel Mr. Sandman, de Elisa Victoria, o filme constrói uma narrativa que desloca o foco tradicional do gênero: aqui, o medo nasce menos do ataque inesperado e mais da consciência pesada de quem falhou em agir. Leia a nossa crítica do filme.
A trama acompanha Anna Reeves, vivida por Whitney Peak, uma adolescente marcada pela perda recente dos pais em um acidente de carro. Única sobrevivente, ela deixa o Brooklyn para morar em uma pequena cidade da Flórida com a avó May, interpretada por S. Epatha Merkerson. Cega desde jovem, May parece habituada à solidão e pouco preparada para acolher emocionalmente a neta, o que acentua o sentimento de deslocamento da protagonista. Nesse novo ambiente, Anna se aproxima de Shawn (Finn Bennett) e Julie (Laken Giles), amizades que rapidamente se mostram problemáticas.
O ponto de ruptura ocorre quando um ato de bullying resulta em violência grave contra uma criança local. Anna não participa diretamente, mas assiste sem intervir — escolha que se torna central para o desenvolvimento do terror. A partir desse momento, entra em cena o Sr. Sandman, uma entidade que pune não apenas os agressores, mas também aqueles que se omitiram. O filme deixa claro desde o início que a criatura arranca os olhos de suas vítimas, mas surpreende ao ir além da repetição mecânica: o horror se manifesta por meio de pesadelos personalizados, moldados a partir do subconsciente e dos traumas de cada personagem.
Visualmente, Olho por Olho se destaca pelo cuidado na criação de atmosfera. A fotografia explora a umidade sufocante do verão da Flórida, as paisagens pantanosas e a casa antiga como extensões do estado emocional dos personagens. O design do Sr. Sandman, que mistura próteses físicas e efeitos digitais, contribui para uma presença inquietante, com movimentos ora fluidos, ora abruptos, que reforçam a sensação de instabilidade. A câmera frequentemente sugere mais do que mostra, valorizando o impacto psicológico em vez do choque explícito.
No centro do filme está Anna, uma protagonista em conflito constante entre culpa, luto e autopreservação. Seus rituais noturnos, como ouvir afirmações positivas para se manter “presente”, revelam uma tentativa de sobreviver emocionalmente enquanto é forçada a confrontar suas falhas morais. Essa abordagem faz com que Olho por Olho funcione não apenas como uma história de monstros, mas como um estudo sobre responsabilidade e consequências.

Crítica de Olho por Olho: vale à pena assistir o terror na HBO Max?
Mesmo com diálogos pontualmente expositivos, o ritmo se mantém consistente ao longo de quase uma hora e quarenta minutos, sustentado por atuações sólidas e uma direção que prioriza clima e construção sensorial. Ao transformar a omissão em motor do terror, Olho por Olho se firma como um título relevante dentro do horror contemporâneo, usando o sobrenatural para questionar até onde vai a culpa de quem escolhe não agir.