Oi, Sumido! (2025) - Crítica e Fatos do Filme de Sophie Brooks e Molly Gordon disponível na HBO Max Oi, Sumido! (2025) - Crítica e Fatos do Filme de Sophie Brooks e Molly Gordon disponível na HBO Max

Oi, Sumido! (2025) | Crítica do Filme | HBO Max

A comédia romântica contemporânea costuma explorar encontros improváveis, mas “Oi, Sumido!” (2025) leva essa premissa a um território mais arriscado ao misturar romance, humor e elementos de suspense psicológico. Dirigido por Sophie Brooks, que também assina o roteiro ao lado de Molly Gordon, o longa disponível na HBO Max propõe uma leitura sobre os relacionamentos da geração Millennial a partir de uma situação extrema — e deliberadamente absurda. Leia a crítica do filme disponível na HBO Max.

A trama acompanha Iris (Molly Gordon) e Isaac, interpretado por Logan Lerman, um casal em estágio inicial de relacionamento que decide passar um fim de semana em uma casa de campo isolada. O início segue o manual das comédias românticas: momentos de intimidade, conversas sobre gostos pessoais e uma conexão que parece intensa demais para algo tão recente. O cenário bucólico reforça essa atmosfera, criando a expectativa de um romance em desenvolvimento.

No entanto, o filme rapidamente desloca o tom quando uma noite de experimentação sexual com acessórios de bondage se transforma no ponto de ruptura da narrativa. Após o sexo, Isaac admite que não está interessado em um relacionamento sério — uma revelação que entra em choque direto com as expectativas de Iris. A partir daí, a protagonista toma uma decisão impulsiva: deixá-lo preso à cama, prolongando uma situação que deveria ser passageira.

Essa virada narrativa aproxima o filme de referências como Misery e Jogo Perigoso, mas sempre filtradas por um viés cômico. Em vez de caminhar para o terror, “Oi, Sumido!” investe no absurdo das reações e na incapacidade dos personagens de lidar com emoções básicas de forma racional. O resultado é um filme que explora o desconforto como ferramenta de humor.

Grande parte da eficácia do longa está na performance de Molly Gordon. A atriz conduz a escalada emocional de Iris com energia suficiente para sustentar as mudanças de tom da narrativa. Sua personagem transita entre vulnerabilidade e descontrole, refletindo uma tentativa frustrada de dar sentido a um vínculo que nunca foi claramente definido. Já Logan Lerman funciona como contraponto, reagindo à situação com crescente desespero, mas também com um humor que evita que o filme se torne excessivamente sombrio.

O roteiro aposta em diálogos que revelam inseguranças comuns em relações contemporâneas: medo de compromisso, expectativas desalinhadas e a dificuldade de comunicação. Em uma das sequências mais representativas, Iris busca conselhos sobre o que fazer — seja na internet, com a mãe ou com amigos —, apenas para encontrar respostas igualmente equivocadas. Esse conjunto de interações amplia o caráter satírico da obra, sugerindo que não há um modelo claro para lidar com relacionamentos.

Ainda assim, o filme não mantém consistência total em sua proposta. Em determinados momentos, a narrativa parece perder ritmo, especialmente quando prolonga situações sem avançar no conflito central. Algumas subtramas e escolhas criativas — como elementos mais fantasiosos inseridos na segunda metade — não encontram integração completa com o restante do enredo. Isso contribui para uma sensação de dispersão temática.

Por outro lado, o humor compensa parte dessas irregularidades. Há sequências que exploram o constrangimento de forma eficiente, transformando decisões questionáveis dos personagens em fonte de riso. O elenco de apoio também contribui para esse tom, reforçando a ideia de que todos os envolvidos compartilham certo grau de imaturidade emocional.

Oi, Sumido! (2025) - Crítica e Fatos do Filme de Sophie Brooks e Molly Gordon disponível na HBO Max

Do ponto de vista temático, “Oi, Sumido!” tenta discutir os limites entre desejo, expectativa e realidade nos relacionamentos atuais. A proposta é evidente: expor, por meio do exagero, como pequenas falhas de comunicação podem gerar consequências desproporcionais. No entanto, o filme não aprofunda totalmente essa reflexão, preferindo priorizar o impacto imediato das situações cômicas.

Crítica do filme: vale à pena assistir “Oi, Sumido!” na HBO Max?

Ainda assim, há mérito na abordagem. Ao assumir uma premissa incomum e levá-la até as últimas consequências, a obra se destaca dentro do gênero. A combinação entre romance e absurdo cria uma experiência que pode dividir o público, mas dificilmente passa despercebida.

No balanço final, “Oi, Sumido!” funciona melhor como exercício de humor do que como análise sobre relacionamentos. A química do elenco, liderada por Molly Gordon, e o compromisso com a proposta excêntrica garantem momentos de entretenimento. Mesmo sem alcançar maior profundidade, o filme encontra espaço ao apostar em uma ideia simples levada ao extremo — e sustentada por personagens que, apesar de suas decisões questionáveis, mantêm o interesse do espectador até o desfecho.