Final explica os assassinatos, mas não consegue resolver os problemas da série
O sexto e último episódio de O Verão de 1936, minissérie francesa da Netflix, finalmente revela quem esteve por trás dos crimes que movimentaram a temporada. Depois de cinco capítulos espalhando suspeitos e ampliando a conspiração, o desfecho concentra boa parte de seu tempo em explicar as motivações dos assassinatos, reorganizar o destino dos personagens e encerrar os diferentes núcleos dramáticos.
A produção entrega respostas para praticamente todas as perguntas levantadas ao longo da história, mas a forma como essas revelações acontecem evidencia o principal problema da série. Em vez de construir uma investigação que conduz naturalmente às soluções, o roteiro concentra explicações e reviravoltas nos minutos finais, oferecendo um encerramento funcional, porém pouco convincente diante da quantidade de histórias paralelas desenvolvidas desde o início.
Raven passa a desconfiar das quatro protagonistas
O episódio começa com um roubo no necrotério e uma sequência aparentemente desconexa envolvendo uma mulher retirando um pacote de uma loja.
Pouco depois, Léonie, Giulia, Eugénie e Blanche aparecem reunidas em um café discutindo acontecimentos recentes de maneira reservada. A reunião desperta a atenção de Raven, que logo descobre que as quatro estiveram juntas pouco antes de novas evidências surgirem.
Para o investigador, a coincidência é suficiente para levantar uma hipótese inesperada: talvez elas tenham atuado em conjunto para esconder provas relacionadas aos assassinatos de Jacquart e Edgar.
Enquanto tenta organizar os fatos, Raven percebe que vários acontecimentos recentes parecem fazer parte de um mesmo plano cuidadosamente executado.
Uma armadilha é preparada contra Raoul
Na manhã seguinte, Henri oficializa Eugénie como sucessora da empresa da família.
Aproveitando a mudança de comando, ela procura Raoul e faz uma proposta inesperada. Oferece entregar o controle da fábrica caso ele devolva o caderno que vinha utilizando para chantagear diversas pessoas.
O empresário aceita buscar o documento, sem perceber que toda a negociação faz parte de uma estratégia para desmascará-lo.
Enquanto isso, Eugénie retorna ao hotel e informa às demais mulheres que o plano entrou em ação.
Antes que possam avançar, Raven aparece e confronta o grupo. O investigador apresenta suas teorias sobre os diferentes assassinatos e demonstra acreditar que todas escondem informações importantes.
A conversa é interrompida quando Joseph informa que o cofre de Raoul foi arrombado.

A investigação encontra as provas que faltavam
Durante a perícia no escritório de Raoul, a polícia localiza diversos objetos comprometedores.
Entre eles está um abridor de cartas compatível com a arma utilizada no assassinato de Jacquart, além de veneno para ratos semelhante ao empregado na morte de Edgar.
Os investigadores também encontram uma intimação judicial relacionada a um processo de fraude envolvendo Jacquart.
Para Raven, as evidências parecem suficientes para concluir que Raoul possuía motivos financeiros para eliminar a vítima e, posteriormente, silenciar Edgar.
No entanto, a verdade se mostra mais complexa.
Quem matou Jacquart e Edgar?
A principal revelação do episódio mostra que Anne-Marie foi a responsável pela morte de Jacquart.
O motivo remonta a um trauma do passado. Jacquart havia atropelado o filho secreto de Anne-Marie, provocando sua morte, e jamais respondeu pelo ocorrido.
Edgar testemunhou o assassinato de Jacquart e utilizou essa informação para chantagear Anne-Marie. Além disso, passou a persegui-la e a violentá-la.
Diante da situação, Marthe decidiu eliminar Edgar utilizando veneno para ratos e tentou conduzir as suspeitas para Jean, criando uma falsa linha de investigação.
Anne-Marie acaba confessando toda a sequência de acontecimentos.
Mesmo diante da confissão, Raven entende que Raoul permanece como peça central de praticamente todas as tragédias ocorridas ao longo da temporada. Embora não seja responsabilizado oficialmente por todos os crimes, fica evidente que sua influência desencadeou boa parte dos acontecimentos, incluindo a morte de Félix.

Os demais personagens recebem seus desfechos
Depois da resolução do caso principal, o episódio dedica seus minutos finais ao encerramento das histórias paralelas.
Léonie consegue provar que Frédéric mentiu durante o processo que levou seu pai à prisão. Com a ajuda de Giulia, reúne as evidências necessárias para desmontar o falso testemunho e garantir a libertação dele.
Gabriel decide seguir carreira na música, contrariando a vontade de Jean.
Ao acreditar que foi abandonada, Angèle tenta tirar a própria vida entrando no mar, mas acaba sendo salva por Gabriel e pelo pai. O mal-entendido é esclarecido, permitindo que os dois permaneçam juntos.
Giulia consegue devolver Suzanne à rotina escolar e inicia uma despedida emocional de Joseph, que decide viajar para a Espanha para participar de uma missão humanitária. Os dois deixam em aberto a possibilidade de retomarem o relacionamento no futuro.
Blanche também encontra um novo caminho. Depois de compreender o trabalho realizado por Édouard para ajudar refugiados judeus, decide reatar o casamento. Juntos, planejam deixar a França e começar uma nova vida em Nova York.
Já Eugénie finalmente consegue reconstruir sua relação com Jean. Os dois contam a Louis toda a verdade sobre sua origem, encerrando um dos conflitos familiares mais importantes da série.
O final explicado de O Verão de 1936
Nos momentos finais, Léonie decide abandonar a carreira na polícia para abrir uma agência particular de investigação. Madeleine aceita trabalhar ao seu lado, estabelecendo uma nova parceria profissional.
Raven, por sua vez, encerra sua trajetória como investigador e aceita um cargo de instrutor na academia de polícia em Paris.
A série termina mostrando os personagens iniciando novas etapas de suas vidas. Léonie, Giulia, Eugénie e Blanche observam os fogos de artifício juntas, enquanto Gabriel e Angèle seguem construindo o relacionamento iniciado durante aquele verão.
O encerramento busca transmitir a ideia de que, apesar das perdas e das mentiras reveladas ao longo da investigação, todos encontraram uma oportunidade para recomeçar.

Crítica do episódio 6 de O Verão de 1936
O episódio final consegue responder aos principais mistérios da temporada, mas evidencia um problema que acompanhou a série desde seus primeiros capítulos: a dificuldade em administrar o grande número de histórias simultâneas.
A revelação dos verdadeiros responsáveis pelos assassinatos surge apenas nos minutos finais, apoiada em explicações que pouco dialogam com a investigação desenvolvida anteriormente. Em vez de conduzir o espectador por uma sucessão lógica de pistas, o roteiro opta por concentrar quase todas as respostas no desfecho, reduzindo o impacto das descobertas.
Além disso, a produção dedica tempo considerável para encerrar romances, conflitos familiares, disputas empresariais, questões políticas e dramas pessoais. Como consequência, nenhuma dessas linhas narrativas recebe o aprofundamento necessário para produzir um encerramento realmente marcante.
Apesar da boa ambientação histórica e do esforço para retratar a França às vésperas da Segunda Guerra Mundial, O Verão de 1936 termina como uma minissérie que apresenta boas ideias, mas encontra dificuldades para transformá-las em uma investigação coesa. O resultado é um suspense que desperta curiosidade nos primeiros episódios, mas perde força ao tentar acomodar um número excessivo de personagens, conspirações e reviravoltas em apenas seis capítulos.