Série francesa da Netflix prepara o desfecho com novas alianças e uma conspiração cada vez maior
Faltando apenas um capítulo para o fim da temporada, O Verão de 1936, minissérie francesa da Netflix, direciona sua narrativa para a reta final ao reorganizar as alianças entre os personagens e ampliar a conspiração por trás dos assassinatos. O quinto episódio deixa de lado parte da ação vista anteriormente para concentrar esforços na investigação conduzida por Léonie, ao mesmo tempo em que revela a influência de Raoul sobre praticamente todos os conflitos da história.
Embora o capítulo consiga estabelecer as peças necessárias para o desfecho, a série continua enfrentando dificuldades para equilibrar seus diversos núcleos narrativos. O resultado é um episódio que oferece pistas importantes sobre o mistério principal, mas que ainda dedica tempo considerável a histórias paralelas que pouco acrescentam à resolução dos crimes.
A morte de Félix muda completamente a postura de Léonie
O episódio começa logo após a descoberta do corpo de Félix. Abalada, Léonie acompanha a retirada do cadáver e finalmente revela a Raven que mantinha um relacionamento com a vítima.
Convencida de que Raoul está diretamente envolvido no assassinato, ela insiste para continuar participando da investigação. Raven, no entanto, prefere afastá-la temporariamente do caso por causa do envolvimento emocional e promete conduzir pessoalmente o interrogatório do empresário.
Em vez de aceitar a orientação, Léonie segue para a prisão para confrontar o próprio pai. Revoltada por descobrir que ele omitiu parte da verdade sobre seu passado, ela rompe relações com Frédéric, convencida de que suas mentiras contribuíram para toda a situação que enfrenta atualmente.
Raoul continua manipulando todos ao seu redor
Enquanto Raven tenta reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte de Félix, Giulia volta a ser pressionada.
Ela presta depoimento sobre a discussão entre Raoul e Félix, mas mente deliberadamente ao investigador. A decisão não acontece por acaso. Logo depois, o motorista de Raoul a procura para lembrá-la de que Suzanne continua vulnerável caso ela deixe de colaborar.
Sem conseguir desmontar o álibi apresentado por Raoul, Raven é obrigado a encerrar o interrogatório sem efetuar uma prisão. A frustração de Léonie aumenta ao perceber que o principal suspeito continua circulando livremente enquanto novas vítimas surgem.
Ao mesmo tempo, Blanche procura Édouard em uma tentativa de reconstruir o casamento. A conversa, porém, termina sem reconciliação. Ele revela que pretende deixar a França em breve, enquanto Blanche passa a enxergar Raoul como uma ameaça ainda maior.

Jean finalmente deixa de ser suspeito
Depois de novas diligências, Raven e Léonie conseguem confirmar o verdadeiro paradeiro de Jean na noite em que Jacquart foi assassinado.
A comprovação do álibi obriga a polícia a libertá-lo, encerrando uma das principais suspeitas construídas ao longo dos episódios anteriores. Eugénie recebe a notícia com alívio, embora a relação entre os dois continue estremecida pela descoberta envolvendo Louis.
Paralelamente, Raven continua investigando o comportamento de Léonie. Frédéric reclama da insistência dela em investigar a gráfica e pede que o padrinho a mantenha afastada do local.
A explicação apresentada por Léonie não convence completamente o investigador, que decide verificar de maneira independente onde ela realmente estava na noite do primeiro assassinato.
As peças da conspiração começam a se encaixar
Livre das obrigações na delegacia, Léonie procura Giulia para entender por que ela mentiu durante o interrogatório.
A conversa finalmente revela toda a dimensão das ameaças feitas por Raoul. Giulia admite que entregou informações ao empresário porque Suzanne passou a ser usada como instrumento de chantagem. Diante da situação, Léonie promete encontrar uma maneira de colocar um fim ao esquema.
Enquanto isso, Gabriel e Angèle continuam alimentando o romance e decidem participar juntos de uma competição de dança, oferecendo um raro momento de leveza em meio aos acontecimentos.
Já Eugénie enfrenta dificuldades para convencer Jean de que ainda existe um futuro para a família depois da revelação sobre a verdadeira paternidade de Louis.

Novas pistas apontam para Raoul
Ao analisar as cartas ameaçadoras enviadas a Jacquart antes de sua morte, Léonie identifica uma nova linha de investigação e segue até uma área rural para esclarecer um antigo atropelamento envolvendo um garoto que fugiu do local.
Ao mesmo tempo, Raven recebe outra informação relevante de Saveur, antigo assistente de Jacquart.
Ele revela que desapareceu o documento que registrava oficialmente a dívida de Giulia com a vítima, reforçando a suspeita de que alguém vem apagando deliberadamente evidências importantes.
Em outra frente da história, Blanche acompanha discretamente Édouard e acaba ajudando o ex-marido a proteger um casal judeu perseguido por agentes ligados à Alemanha nazista. A experiência transforma sua percepção sobre ele e abre espaço para uma possível reaproximação.
A investigação chega perto da verdade
No hotel, Eugénie finalmente compreende o verdadeiro objetivo de Raoul.
O empresário pretende utilizar o caderno recuperado anteriormente para obrigar Henri a estabelecer relações comerciais com os nazistas. A descoberta muda completamente a posição de Eugénie, que decide aceitar a responsabilidade sobre os negócios da família para impedir que a empresa seja usada dessa maneira.
Henri admite que tomou decisões moralmente questionáveis para manter a fábrica funcionando, enquanto Jean demonstra desconforto diante da possibilidade de assumir um papel importante naquele império empresarial.
Enquanto isso, Odette encerra a chantagem contra Giulia após conseguir um emprego para o irmão no hotel.
Pouco depois, Léonie reúne Giulia, Eugénie e Blanche em um encontro reservado. Convencida de que finalmente compreendeu o funcionamento da conspiração, ela propõe uma estratégia conjunta para colocar Raoul contra a parede.
Ao mesmo tempo, Raven recebe outra informação preocupante. Madeleine descobre que alguém se passou pela esposa de Edgar para comprar veneno de rato antes do assassinato. A descoberta faz o investigador suspeitar que Léonie esteja protegendo algumas das principais envolvidas na investigação.

Crítica do episódio 5 de O Verão de 1936
O penúltimo episódio cumpre a função de preparar o terreno para a conclusão da série. As diferentes linhas narrativas começam, finalmente, a convergir para um mesmo objetivo: desmontar o esquema comandado por Raoul e esclarecer os assassinatos que movimentaram a temporada.
Ainda assim, a produção continua sofrendo com escolhas narrativas que enfraquecem parte da investigação. A prisão precipitada de Jean perde força depois da confirmação de seu álibi, enquanto a morte de Félix parece funcionar mais como um recurso para intensificar o envolvimento emocional de Léonie do que como consequência natural da história.
Além disso, algumas subtramas seguem ocupando espaço sem provocar mudanças relevantes na narrativa principal. O romance entre Gabriel e Angèle, os conflitos familiares e determinadas disputas internas do hotel continuam interrompendo o ritmo justamente quando a investigação passa a ganhar maior urgência.
Apesar dessas limitações, o episódio consegue cumprir seu principal objetivo: reunir personagens que antes atuavam isoladamente e posicioná-los diante de um inimigo em comum. Com apenas um capítulo restante, O Verão de 1936 finalmente parece preparada para responder às perguntas que sustentam sua trama desde o assassinato de Jacquart.