O Último Nascer do Sol - Crítica do Filme do Prime Video O Último Nascer do Sol - Crítica do Filme do Prime Video

O Último Nascer do Sol (2026) Crítica do Filme | Prime Video

O Último Nascer do Sol (The Last Sunrise, 2026), novo filme do Prime Video dirigido por Carlson Young e roteirizado por Anna Klassen a partir da obra de Anna Todd, acompanha uma jovem que decide romper com a vida controlada pela família após descobrir que tem uma doença terminal. Estrelado por Maia Reficco e Fernando Lindez, o longa aposta em uma história de romance, liberdade e descoberta pessoal, mas nem sempre consegue aprofundar os conflitos que apresenta.

O Último Nascer do Sol encontra sua força na protagonista

Oriah “Ry” Pera passou boa parte da vida submetida a uma rotina determinada por sua condição de saúde. Entre medicamentos, consultas e cuidados constantes, o futuro sempre esteve no centro de suas decisões. Quando resolve abandonar esse controle e viajar para Mallorca, ela encontra em Julián uma oportunidade de experimentar uma realidade que até então lhe havia sido negada.

O mais interessante em Ry é que sua rebeldia não nasce simplesmente do desejo de se transformar em outra pessoa. Ela quer assumir o controle do pouco tempo que acredita ter pela frente. A proposta funciona, mas o roteiro poderia explorar melhor a diferença entre liberdade e fuga.

Em vários momentos, abandonar responsabilidades parece ser tratado como sinônimo de viver plenamente. Esse conflito poderia acrescentar uma camada importante à personagem, mostrando que aproveitar o presente também exige lidar com os medos que motivaram sua fuga.

Romance funciona, mas Julián precisava de mais desenvolvimento

A relação entre Ry e Julián é um dos elementos mais agradáveis do filme. Fernando Lindez apresenta o personagem com uma postura descontraída que combina com a função que ele exerce na narrativa: apresentar a protagonista a festas, noites, intimidade e experiências que ela desconhecia.

A química entre Lindez e Reficco é convincente, especialmente nas cenas em que Julián ajuda Ry a enxergar o mundo sob outra perspectiva. O problema é que o personagem acaba limitado praticamente a esse papel.

Faltam ao roteiro conflitos, desejos e inseguranças próprios para Julián. Ele funciona bem como catalisador da transformação de Ry, mas não recebe a mesma atenção no desenvolvimento de sua própria história.

A relação entre Ry e Isolde poderia ser o coração do filme

Eva Longoria interpreta Isolde, mãe de Ry, e sua personagem representa um dos conflitos mais interessantes de O Último Nascer do Sol. Ela não é simplesmente uma mãe controladora que tenta impedir a filha de aproveitar a vida. Suas atitudes são motivadas pelo medo e pela consciência da condição de Ry.

Isso torna o relacionamento entre mãe e filha mais equilibrado. Nenhuma das duas está completamente errada, e justamente por isso os conflitos poderiam ter recebido mais espaço.

Longoria confere peso emocional a Isolde, mas o roteiro nem sempre oferece material suficiente para que a atriz explore todas as possibilidades da personagem. Algumas discussões parecem existir apenas para conduzir a história ao próximo momento dramático, em vez de refletirem uma relação construída ao longo de anos.

Mallorca é um dos destaques de O Último Nascer do Sol

Se existe um elemento que o filme aproveita muito bem, é Mallorca. As praias, ruas, mar e luz natural criam um cenário que combina diretamente com a proposta da história.

Os momentos envolvendo o nascer do sol também funcionam como extensão visual do conflito de Ry. Depois de passar tanto tempo preocupada com o futuro, ela começa a experimentar o presente diante de paisagens que reforçam essa mudança de perspectiva.

O Último Nascer do Sol - Crítica do Filme do Prime Video

O Último Nascer do Sol vale a pena assistir no Prime Video?

O Último Nascer do Sol não é um filme sem qualidades. Maia Reficco e Fernando Lindez têm boa química, Eva Longoria acrescenta densidade ao elenco e Mallorca oferece um cenário adequado para a atmosfera de romance de verão.

O problema está na profundidade. O longa apresenta questões interessantes sobre mortalidade, liberdade, responsabilidade, família e medo, mas frequentemente escolhe o caminho mais simples para desenvolvê-las.

Como romance jovem, O Último Nascer do Sol entrega momentos envolventes e uma atmosfera agradável. Como drama sobre alguém confrontado com a própria mortalidade, porém, deixa a sensação de que poderia ter ido muito mais longe.