O Tempo das Moscas - Crítica da série argentina da Netflix O Tempo das Moscas - Crítica da série argentina da Netflix

O Tempo das Moscas (2026) | Crítica da Série | Netflix

Recém-adicionada ao catálogo da Netflix em 2026, O Tempo das Moscas (El tiempo de las moscas ou Time Flies) é uma série argentina que transita entre a comédia policial e o drama, apostando em uma estrutura narrativa pouco convencional. Mesmo apresentando problemas de ritmo e organização, a produção se destaca por fugir do formato mais reconhecível das séries policiais latino-americanas da plataforma, oferecendo uma experiência diferente dentro do gênero. Leia a crítica:

Sobre o que trata a série argentina

A trama acompanha dois ex-presidiários que, após deixarem a prisão, decidem abrir uma empresa de dedetização como tentativa de reinserção social. A proposta aparentemente leve ganha contornos mais complexos quando uma cliente passa a chantagear um deles para obter veneno, desencadeando uma sucessão de eventos que desloca a narrativa para um território mais sombrio. O que começa como comédia logo se transforma em um enredo de consequências, vingança e escolhas morais.

Com apenas seis episódios, O Tempo das Moscas aposta em uma narrativa não linear, alternando constantemente entre passado e presente. Essa decisão criativa contribui para uma sensação de fragmentação, especialmente nos primeiros capítulos, tornando o acompanhamento da história mais exigente. Ainda assim, a série apresenta coesão temática e, com paciência, o espectador encontra as respostas que a trama propõe ao longo do percurso.

O eixo central da narrativa está nas personagens femininas. A história acompanha Manca e Inés, duas mulheres marcadas pelo sistema prisional e por decisões extremas. Logo nos primeiros minutos, a série revela que Inés matou a amante de seu marido — um evento que funciona como gatilho para toda a trama. Os motivos por trás do crime, no entanto, são explorados de forma gradual, conectando temas como maternidade, culpa, identidade e relações de poder. A adaptação reúne elementos de dois romances da mesma autora, utilizando um como base para os flashbacks e outro como linha narrativa principal, o que explica tanto a ambição quanto a densidade da estrutura.

Carla Peterson entrega uma atuação consistente como Inés, construindo uma protagonista marcada por contradições e falhas. Mesmo diante de suas ações, a personagem desperta empatia, justamente por ser apresentada dentro de um arco de consequências. Nancy Dupláa, por sua vez, interpreta Manca com domínio de cena, evidenciando experiência e controle emocional. A química entre as duas sustenta grande parte do envolvimento da série.

Visualmente, O Tempo das Moscas aposta em uma estética singular, com fotografia levemente esfumaçada e uma atmosfera que remete a um tom quase vintage. O resultado cria um contraste com produções policiais mais convencionais, oferecendo uma ambientação mais intimista e menos acelerada.

O Tempo das Moscas - Crítica da série argentina da Netflix

Crítica: vale à pena assistir O Tempo das Moscas na Netflix?

Embora o conflito central perca força próximo ao clímax, a jornada até esse ponto mantém o interesse. O Tempo das Moscas não é uma série que busca agradar a todos, mas se destaca por assumir riscos narrativos. Para quem aprecia histórias policiais com estrutura fragmentada, personagens femininas complexas e uma abordagem menos previsível, a produção argentina surge como uma opção relevante dentro do catálogo da Netflix.