O Tanque de Guerra (2025) - Crítica do filme do Prime Video O Tanque de Guerra (2025) - Crítica do filme do Prime Video

O Tanque de Guerra (2025) | Crítica do Filme | Prime Video

A chegada de O Tanque de Guerra (Der Tiger) ao catálogo do Prime Video no Brasil não acontece por acaso. Em meio ao interesse renovado por narrativas da Segunda Guerra Mundial no streaming, o longa alemão dirigido por Dennis Gansel surge como uma produção que dialoga com esse movimento, mas escolhe um caminho distinto. Em vez de apostar no retrato cru e contemplativo do front, o filme se posiciona como um thriller de guerra, centrado em ação, tensão psicológica e atmosfera claustrofóbica.

Ambientado em 1943, na Frente Oriental, o filme acompanha a tripulação de um tanque Tiger da Wehrmacht que sobrevive por pouco a uma emboscada soviética durante a batalha por uma ponte sobre o rio Dniepre. Após repararem o veículo danificado, os soldados recebem uma missão que rapidamente se revela extrema: atravessar território inimigo para localizar o coronel von Hardenburg, oficial alemão detentor de informações estratégicas que não podem cair nas mãos do Exército Vermelho. A ordem é clara — resgatá-lo ou eliminá-lo.

Grande parte da narrativa se desenrola dentro e ao redor do tanque, recurso que Dennis Gansel utiliza para intensificar a sensação de confinamento e desgaste físico e mental. O elenco — com David Schütter, Laurence Rupp, Leonard Kunz, Sebastian Urzendowsky e Yoran Leicher — sustenta a tensão constante entre medo, obediência e conflitos de consciência, à medida que a missão avança por florestas e estepes sob ameaça contínua.

O material promocional define o filme como uma “jornada ao coração das trevas”, referência que rapidamente remete a Apocalypse Now. Os paralelos existem e não são sutis: um grupo enviado para recuperar ou eliminar um oficial isolado, a travessia por um território hostil e o desgaste psicológico crescente. No entanto, O Tanque de Guerra evita a simples cópia. Gansel utiliza essa estrutura como base, mas constrói sua própria identidade, equilibrando homenagem e distanciamento.

Visualmente, o longa se beneficia do trabalho do diretor de fotografia Carlo Jelavic, que cria uma ambientação opressiva dentro do tanque, lembrando clássicos do cinema de submarino como Das Boot. A comparação não é gratuita: o tanque funciona como um espaço fechado que tanto protege quanto ameaça seus ocupantes. Sequências envolvendo campos minados, confrontos diretos e até uma passagem submersa reforçam a criatividade na encenação dos conflitos.

Entre cenas de ação, o filme insere flashbacks e momentos noturnos que aprofundam o estado psicológico dos personagens. A presença constante da pervitina — estimulante amplamente utilizada por soldados alemães na época — adiciona uma camada de ambiguidade à narrativa, levantando dúvidas sobre o que é real e o que pode ser fruto de exaustão ou alucinação.

O Tanque de Guerra (2025) - Crítica do filme do Prime Video

Crítica: vale à pena assistir O Tanque de Guerra no Prime Video?

Inspirado parcialmente em relatos familiares do próprio diretor, O Tanque de Guerra opta por um ritmo mais acelerado e por escolhas narrativas que o afastam de abordagens mais sóbrias do gênero. Ainda assim, o filme não ignora o contexto histórico nem reforça mitos sobre a Wehrmacht, inserindo seus personagens em uma lógica de guerra marcada por violência, culpa e contradições.

No fim, O Tanque de Guerra não pretende ser um retrato definitivo da Segunda Guerra Mundial, mas sim um filme de entretenimento bem construído, que aposta na tensão contínua, na encenação eficiente e em uma jornada mais importante do que sua resolução. Dentro dessa proposta, Dennis Gansel entrega um thriller de guerra sólido e envolvente, que encontra no Prime Video um espaço adequado para alcançar um público mais amplo.