O Sobrevivente (The Running Man, 2025) - Crítica e fatos do filme O Sobrevivente (The Running Man, 2025) - Crítica e fatos do filme

O Sobrevivente (2025) | Crítica do Filme | Paramount+

A nova adaptação de O Sobrevivente, agora dirigida por Edgar Wright e estrelada por Glen Powell, chegou aos cinemas em 2025 (e agora disponível para assistir no Paramount+) com a promessa de atualizar uma das distopias mais conhecidas de Stephen King. Entre fidelidade ao material original e ambições contemporâneas, o longa oscila entre acertos formais e fragilidades narrativas que comprometem seu impacto.

A trama acompanha Ben Richards, um homem desempregado que aceita participar de um reality show mortal para custear o tratamento da filha doente. No programa “The Running Man”, competidores precisam sobreviver por 30 dias enquanto são caçados por assassinos profissionais, com a população incentivada a denunciá-los. A premissa, já conhecida dos fãs e anteriormente adaptada em O Sobrevivente, ganha aqui um tratamento mais sombrio e alinhado ao tom do livro.

Edgar Wright imprime sua assinatura estética com ritmo acelerado, montagem dinâmica e uso expressivo da trilha sonora. Assim como em trabalhos anteriores como Chumbo Grosso, o diretor demonstra controle técnico ao construir sequências de ação que priorizam impacto e fluidez. O resultado é um filme que mantém o espectador em constante estado de tensão, ainda que isso venha ao custo de um maior desenvolvimento dramático.

No centro da narrativa, Glen Powell entrega um Ben Richards marcado por raiva contida e desespero. Sua atuação sustenta boa parte do filme, especialmente nos momentos em que o personagem precisa transitar entre vítima do sistema e figura de resistência. No entanto, o roteiro apresenta dificuldades em definir com clareza quem é esse protagonista. Em determinados momentos, ele surge como um anti-herói pragmático; em outros, como um símbolo idealista de rebelião. Essa inconsistência enfraquece a construção dramática e dificulta o envolvimento emocional.

O elenco de apoio contribui com boas presenças. Josh Brolin interpreta o produtor Dan Killian com uma mistura de cinismo e controle, enquanto Michael Cera adiciona nuances ao papel de um aliado técnico com motivações pessoais. Ainda assim, muitos desses personagens carecem de tempo em cena para que seus arcos se consolidem, surgindo mais como ideias promissoras do que como figuras plenamente desenvolvidas.

O Sobrevivente (The Running Man, 2025) - Crítica e fatos do filme

Visualmente, o filme constrói uma sociedade tecnologicamente avançada, mas socialmente degradada. A narrativa reforça temas como desigualdade, manipulação midiática e exploração econômica, dialogando com obras como RoboCop e Tropas Estelares. No entanto, embora levante essas questões, o roteiro raramente se aprofunda nelas, optando por manter o ritmo em detrimento da reflexão.

Crítica de O Sobrevivente: vale à pena assistir ao filme no Paramount+?

Esse desequilíbrio se torna mais evidente no desfecho. O filme apresenta soluções narrativas que parecem hesitar entre diferentes caminhos, evitando assumir uma posição clara sobre seus próprios temas. Em vez de concluir de forma contundente a jornada de Ben Richards, a narrativa opta por um encerramento que dilui suas ideias centrais, reforçando a sensação de falta de foco.

O Sobrevivente (2025) funciona como espetáculo imediato, sustentado pela direção segura de Edgar Wright e pelo carisma de Glen Powell. No entanto, sua dificuldade em equilibrar ação e discurso, além da indecisão em relação ao protagonista e ao final, limita o alcance da obra. O resultado é uma adaptação que entretém no momento, mas perde força quando analisada com maior distância.