Disponível no Prime Video, O Roubo (Steal) é uma série de assalto que tenta combinar suspense corporativo, comentário social e thriller psicológico. Estrelada por Sophie Turner, a produção parte de uma premissa instigante, mas acaba tropeçando ao confundir complexidade narrativa com profundidade temática. Leia a nossa crítica:
A trama acompanha Zara, funcionária da empresa de investimentos Lochmill Capital, que tem sua rotina interrompida quando um grupo de criminosos invade o escritório e faz todos de reféns. Forçada, ao lado do colega e amigo Luke, a transferir bilhões de libras, Zara se vê no centro de uma investigação que rapidamente transforma vítimas em suspeitos. O que deveria ser um estudo sobre poder financeiro e manipulação se transforma em uma sucessão de mal-entendidos prolongados artificialmente.
O principal problema de O Roubo está em suas prioridades narrativas. A série dedica a maior parte de seus episódios a acompanhar personagens tentando descobrir verdades que o público já conhece, enquanto o real propósito do assalto — supostamente o motor ideológico da história — é revelado de forma apressada e superficial no desfecho. Quando a explicação finalmente chega, ela se apoia em discursos genéricos sobre capitalismo, desigualdade e moralidade, sem mostrar consequências práticas dessas ideias dentro do universo da série.
Esse desequilíbrio compromete o impacto da narrativa. Em vez de observar os responsáveis pelo sistema financeiro sendo confrontados, o espectador acompanha personagens comuns se voltando uns contra os outros, movidos por medo e desconfiança. A série até poderia funcionar como um retrato da fragmentação social contemporânea, mas não assume essa leitura de forma clara, deixando sua mensagem difusa.
No campo técnico, O Roubo também apresenta limitações. A direção de Sam Miller e Hettie Macdonald não consegue estabelecer uma identidade visual consistente. A tentativa de contrastar os ambientes da elite financeira com os espaços da população comum é pouco explorada, resultando em uma mise-en-scène funcional, porém esquecível. O ritmo é irregular, com episódios que estendem conflitos sem acrescentar novas camadas dramáticas. Figurinos e trilha sonora cumprem o básico, mas raramente se destacam.

Crítica da série: vale à pena assistir O Roubo no Prime Video?
O elenco, por outro lado, é o grande trunfo da série. Sophie Turner entrega mais uma atuação contida e expressiva, mesmo limitada por um roteiro que raramente aprofunda sua personagem. Archie Madekwe e Jacob Fortune-Lloyd também se destacam, enquanto nomes como Andrew Howard, Yusra Warsama e Jonathan Slinger aproveitam bem o pouco tempo de tela. O desperdício mais evidente é Andrew Koji, ator de grande potencial que recebe um papel sem relevância dramática.
No fim, O Roubo é uma série que vale a atenção principalmente pelo elenco. Quem busca um thriller eficiente ou uma reflexão consistente sobre desigualdade financeira pode sair frustrado. A produção levanta questões importantes, mas não consegue transformá-las em uma narrativa coesa e significativa.