O Refúgio (The Bluff, 2026) - Crítica e Fatos do Filme do Prime Video O Refúgio (The Bluff, 2026) - Crítica e Fatos do Filme do Prime Video

O Refúgio (2026) | Crítica do Filme | Prime Video

A estreia de O Refúgio (The Bluff, 2026) no catálogo do Prime Video marca mais uma tentativa do streaming de investir em um épico de ação com verniz histórico, desta vez ambientado no século XIX e dirigido por Frank E. Flowers. Estrelado por Priyanka Chopra Jonas e Karl Urban, o filme parte de uma premissa promissora, mas esbarra em limitações narrativas que impedem o projeto de alcançar maior impacto.

A trama acompanha Ercell Bodden, uma mulher que vive com a família em uma ilha aparentemente isolada e pacífica. Essa normalidade é quebrada quando piratas liderados pelo Capitão Connor invadem a região em busca de barras de ouro marcadas. O roteiro constrói rapidamente o conflito central e estabelece o cerco à comunidade local, colocando Ercell diante da necessidade de proteger o filho e os demais habitantes. A estrutura é direta e não esconde suas referências a histórias clássicas de vingança e sobrevivência.

Desde o início, fica claro que o filme funciona principalmente como um veículo para sua protagonista. Priyanka Chopra Jonas sustenta a narrativa com presença física e entrega convincente nas cenas de combate, revelando uma personagem que vai além da figura de esposa e mãe. Quando a ação toma o centro da narrativa, especialmente nos confrontos corpo a corpo e nas sequências em ambientes fechados, o longa encontra seus momentos mais eficazes. A coreografia explora bem o espaço, utilizando móveis, armas improvisadas e o terreno natural da ilha.

O problema surge quando O Refúgio tenta aprofundar seus personagens e temas. A decisão de recorrer a flashbacks explicativos para justificar o passado de Ercell e sua relação com o antagonista quebra o ritmo e reduz o impacto do mistério inicial. A abordagem expositiva demonstra certa desconfiança na capacidade do público de preencher lacunas narrativas, tornando o desenvolvimento previsível. A relação entre heroína e vilão, que poderia render tensões mais complexas, acaba resumida a motivações familiares e obsessões já conhecidas do gênero.

Karl Urban, no papel do Capitão Connor, entrega um antagonista funcional, mas pouco memorável. Sua presença intimidadora não se traduz em profundidade dramática, e o personagem acaba diluído em meio a decisões de roteiro que priorizam a ação em detrimento do conflito psicológico. O elenco de apoio tem pouco espaço para se destacar, funcionando mais como peças de apoio à jornada da protagonista.

O Refúgio (The Bluff, 2026) - Crítica e Fatos do Filme do Prime Video

Crítica de O Refúgio: vale à pena assistir ao filme no Prime Video?

Visualmente, o filme alterna bons registros de locações reais com cenários que evidenciam o uso de computação gráfica. A fotografia adota tons amarelados e uma iluminação que tenta remeter ao passado, mas nem sempre consegue sustentar a imersão histórica. Ainda assim, a trilha sonora de Henry Jackman contribui para dar peso épico às sequências mais intensas.

O Refúgio entrega entretenimento eficiente quando abraça sua natureza de filme de ação, mas perde força ao tentar se diferenciar dentro de uma fórmula já conhecida. Há ideias interessantes e um contexto que poderia render discussões mais amplas, porém elas surgem tarde e sem o impacto necessário. O resultado é um longa irregular, que vale principalmente pela atuação física e pelo protagonismo de Priyanka Chopra Jonas, mas que deixa a sensação de potencial subaproveitado.