O Padeiro (The Baker, 2022) - Crítica, fatos e curiosidades do filme com Ron Perlman O Padeiro (The Baker, 2022) - Crítica, fatos e curiosidades do filme com Ron Perlman

O Padeiro (2022) | Crítica do Filme | Prime Video

Recém-chegado ao catálogo do Prime Video, O Padeiro (The Baker, 2022) aposta em uma fórmula conhecida do cinema de gênero para entregar um thriller de ação enxuto, ancorado quase inteiramente na presença de Ron Perlman. Dirigido por Jonathan Sobol, o longa abraça sem constrangimento sua condição de produção modesta e encontra força justamente na simplicidade de sua proposta.

Perlman interpreta um padeiro solitário, homem de poucos gestos e rotinas rígidas, que leva uma vida silenciosa à frente de uma padaria com poucos clientes. A tranquilidade é interrompida quando seu filho, Pete (Joel David Moore), surge inesperadamente, atende a uma ligação enigmática sobre uma bolsa deixada no carro e desaparece logo em seguida, abandonando a própria filha, Delphi (Emma Ho), aos cuidados de um avô que mal conhece.

Delphi é uma criança que não fala, observa tudo e testa limites. Enquanto vasculha prateleiras, rouba pequenos objetos e ignora instruções, estabelece uma relação cautelosa com o avô, marcada mais por olhares do que por palavras. Essa dinâmica silenciosa é um dos elementos centrais do filme e ajuda a construir o vínculo que dará sentido às ações seguintes.

O motivo da fuga de Pete não demora a vir à tona. Ele testemunhou uma emboscada ligada ao tráfico de drogas e está em posse de pacotes conhecidos como “rosa”, pertencentes a um criminoso interpretado por Harvey Keitel. O personagem de Keitel, impaciente e focado em resolver um problema por vez, envia seu braço direito, vivido por Elias Koteas, para recuperar o que foi perdido. A perseguição rapidamente se transforma em uma ameaça direta à criança.

Diante disso, o padeiro é obrigado a revisitar um passado que o filme revela aos poucos. Antes de assar pães, ele fazia outro tipo de trabalho, envolvendo violência, investigação e confrontos físicos. A partir desse ponto, O Padeiro assume de vez sua estrutura de filme de vingança e proteção, dialogando com obras como Gloria (1980) e O Profissional (1994), nas quais adultos endurecidos são forçados a proteger crianças em meio ao crime organizado.

Jonathan Sobol acerta ao não tentar reinventar o gênero. O roteiro de Paolo Mancini e Thomas Michael privilegia diálogos curtos e diretos, confiando mais nas ações do protagonista do que em longas explicações. Há frases secas que resumem bem o espírito do filme, especialmente quando o avô orienta a neta a colocar fones de ouvido e óculos de proteção antes de um confronto iminente.

As cenas de luta, coreografadas por Vincent Bouillon, exploram bem os limites físicos de Perlman. O ator não interpreta um herói ágil, mas um homem experiente, que utiliza força, memória corporal e precisão para neutralizar ameaças. Os confrontos são encenados de forma contida, sem exageros visuais, o que contribui para a sensação de verossimilhança.

Elias Koteas encontra espaço para nuances ao interpretar um assassino profissional que demonstra conflitos internos, enquanto Harvey Keitel compõe um antagonista movido por ressentimento e senso de posse. Emma Ho, por sua vez, sustenta bem o papel de Delphi, equilibrando gestos de afeto, desconfiança e pequenas transgressões que humanizam a relação entre avô e neta.

O Padeiro (The Baker, 2022) - Crítica, fatos e curiosidades do filme com Ron Perlman

Nem todos os elementos funcionam com a mesma força. Em alguns momentos, a narrativa ameaça se alongar além do necessário, especialmente na reta final. Ainda assim, esses desvios não comprometem o conjunto, que se mantém coerente com sua proposta do início ao fim.

Crítica do filme: vale à pena assistir O Padeiro no Prime Video?

Filmado nas Ilhas Cayman — embora o local nunca seja explicitado na trama —, O Padeiro é um exemplo de como produções de médio orçamento podem funcionar quando há clareza de objetivos, elenco bem escalado e direção segura. Sem prometer mais do que entrega, o filme encontra seu espaço como um thriller eficiente, sustentado por um protagonista carismático e por uma narrativa que respeita as regras do gênero.

Para quem busca um filme direto, com ação funcional e uma atuação central sólida, O Padeiro cumpre o que promete e reforça a presença de Ron Perlman em um tipo de papel que ele conhece como poucos.