O Namorado (The Boyfriend) Crítica da 2ª temporada do reality show japonês LGBTQIAP+ da Netflix O Namorado (The Boyfriend) Crítica da 2ª temporada do reality show japonês LGBTQIAP+ da Netflix

O Namorado – 2ª Temporada | Crítica do Reality Show | Netflix

A segunda temporada de O Namorado (The Boyfriend), reality show japonês de relacionamento da Netflix, chegou à plataforma em janeiro de 2026 com a missão de expandir o alcance do formato que se tornou um fenômeno global em 2024. Sem recorrer a escândalos ou disputas artificiais, a produção reafirma sua identidade ao apostar na convivência cotidiana, no afeto entre os participantes e em conflitos sutis, agora ambientados no inverno de Hokkaido. Leia a crítica da segunda temporada da série:

O que acontece nos episódios inéditos do reality show

Diferentemente da primeira temporada, que se passava em um cenário mais neutro, a nova fase utiliza a paisagem nevada como elemento narrativo. O frio, o isolamento e o ritmo mais lento do cotidiano ajudam a criar um clima de introspecção que influencia diretamente as relações construídas dentro da casa conhecida como The Green Room. Durante dois meses, os participantes vivem juntos e assumem a tarefa de abrir e administrar uma cafeteria, experiência que funciona como eixo de interação e aproximação.

O elenco inicial é formado por sete homens: Bomi, Hiroya, Huwei, Izaya, Jobu, Kazuyuki e William. A faixa etária varia majoritariamente entre os 20 e 30 anos, com Kazuyuki se destacando por viver essa experiência aos 40. A diversidade cultural também é um ponto relevante, com William, peruano-japonês recém-retornado da Espanha, Izaya vivendo atualmente na Austrália e Huwei vindo da Tailândia. Essa variedade de trajetórias amplia as perspectivas sobre identidade, afetividade e pertencimento.

Logo no primeiro episódio, o programa retoma uma de suas dinâmicas mais conhecidas: os participantes escrevem cartas anônimas para aqueles por quem sentem atração. O resultado expõe assimetrias emocionais, expectativas não correspondidas e dá início a pequenos desconfortos que atravessam a temporada. Nem todos recebem cartas, enquanto outros acumulam mais de uma, criando tensões silenciosas que substituem confrontos diretos.

A segunda temporada também introduz conflitos prévios entre alguns participantes. Jobu demonstra já conhecer parte do grupo, sugerindo envolvimentos passados, enquanto Izaya revela ter sido ignorado por alguém com quem teve uma breve relação. Esses elementos adicionam camadas dramáticas sem descaracterizar o tom contido da série. A chegada de novos moradores ao longo da temporada, incluindo Ryuki, de 20 anos, promete reorganizar dinâmicas e provocar mudanças nos flertes em andamento.

Assim como na temporada anterior, O Namorado mantém a presença do painel de comentaristas formado por Megumi, Chiaki Horan, Thelma Aoyama, Durian Lollobrigida e Yoshimi Tokui. As observações ajudam a contextualizar emoções que muitas vezes não são verbalizadas pelos participantes, funcionando como mediação entre o público e o que acontece dentro da casa.

O Namorado (The Boyfriend) Crítica da 2ª temporada do reality show japonês LGBTQIAP+ da Netflix

Crítica: vale à pena assistir O Namorado e sua 2ª temporada na Netflix?

O grande diferencial do reality segue sendo sua abordagem respeitosa das vivências LGBTQ+ no Japão. Em um país onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não é legalizado, o programa expõe, com cuidado, as dificuldades de se assumir, os conflitos familiares e o processo de autodescoberta enfrentado por participantes mais jovens.

Mesmo com momentos de ritmo mais lento, a segunda temporada encontra equilíbrio ao aprofundar relações e introduzir conflitos discretos que movimentam a narrativa. O Namorado continua sendo uma alternativa aos realities de namoro mais barulhentos, apostando em convivência, escuta e afeto como motores dramáticos.