O Jogo da Tentação (Succubus, 2024), dirigido e roteirizado por R.J. Daniel Hanna, chega ao público como um thriller de terror que dialoga com elementos de Get Out e Jennifer’s Body. O longa utiliza figuras tradicionais do folclore sobrenatural para discutir vulnerabilidades emocionais, exposição em aplicativos de namoro e os limites entre desejo e autossabotagem. Confira a crítica do filme:
A trama de Succubus
A trama acompanha Chris, que tenta lidar com a separação de Sharon enquanto busca distração no aplicativo Star-Crossed. É ali que ele conhece Adra, uma mulher enigmática cuja presença rapidamente se torna central em sua rotina. A mitologia envolvendo súcubos — entidades que seduzem homens para drenar energia vital — molda o subtexto da narrativa e revela o caminho que Chris está prestes a seguir.
O filme alterna registros tradicionais e momentos próximos ao found footage, solução que contextualiza a história sem diálogos explicativos. Logo no início, o espectador compreende a situação conjugal de Chris, sua relação com o filho e o incentivo do amigo Eddie, que constantemente o empurra para novas experiências. Eddie funciona como contraponto moral, alguém que minimiza riscos e reforça a cultura de imprudência digital — uma escolha que antecede os conflitos centrais.
A dinâmica entre Chris e Adra se estabelece de maneira rápida. O protagonista projeta carências e expectativas, tratando a relação como refúgio emocional, enquanto Adra mantém respostas diretas e comportamento quase mecânico. Essa assimetria cria tensão e revela o quanto Chris está disposto a ignorar sinais evidentes para preencher o vazio deixado pelo divórcio. Seu comportamento impulsivo e sua incapacidade de compreender os próprios limites estruturam parte do comentário social do filme.
Outro personagem que amplia o mistério é o Professor Orion, interpretado por Ron Perlman. Chris descobre em pesquisas online que o professor foi demitido após acusações de assédio, informação que nunca é aprofundada, mas levanta dúvidas sobre vigilância, paranoia e risco. A figura de Orion permanece indecifrável, surgindo como possível ameaça ou peça de um jogo maior.

A construção visual aposta em luzes contrastadas e enquadramentos que sugerem observação constante, enquanto os efeitos práticos e digitais trabalham para sustentar a transformação física e simbólica que envolve Adra. A atmosfera sensual é usada como mecanismo narrativo, e o gore aparece de forma pontual para reforçar a escalada de perigo.
Crítica: vale à pena assistir O Jogo da Tentação?
O desfecho entrega o momento mais impactante da obra. Os minutos finais reorganizam as expectativas do espectador e encerram a jornada de Chris com contundência, reforçando a leitura sobre vícios emocionais, padrões destrutivos e a facilidade com que desejos mal resolvidos podem ser manipulados.
Mesmo com escolhas que deixam perguntas em aberto, O Jogo da Tentação utiliza seu conceito para explorar vulnerabilidade masculina, dinâmica digital e a influência de figuras sedutoras na cultura contemporânea, resultando em um terror que dialoga com temas atuais e oferece uma experiência envolvente ao público.