O Filho do Confeiteiro (The Baker's Son, 2021) - Crítica do filme disponível no Prime Video O Filho do Confeiteiro (The Baker's Son, 2021) - Crítica do filme disponível no Prime Video

O Filho do Confeiteiro (2021) | Crítica do Filme | Prime Video

Disponível no Prime Video, O Filho do Confeiteiro (The Baker’s Son, 2021), dirigido por Mark Jean, tenta combinar romance, inspiração artística e vida em comunidade em uma narrativa leve, mas acaba comprometido por escolhas de roteiro que diluem seu conflito central. O filme parte de uma ideia simples, comum às produções do selo Hallmark, mas adiciona camadas narrativas que dificultam o envolvimento do público com seus protagonistas. Leia a nossa crítica.

A história acompanha Matt (Brant Daugherty), um padeiro de uma pequena cidade insular que começa a enfrentar dificuldades profissionais quando seus pães perdem o destaque que antes atraía clientes. Em busca de inspiração, ele recorre a Annie (Eloise Mumford), amiga de infância e presença constante em sua vida. Os dois mantêm uma relação próxima, marcada por hábitos compartilhados e intimidade emocional, mas que nunca avançou para um envolvimento romântico claro.

Esse ponto de partida seria suficiente para sustentar a narrativa. No entanto, O Filho do Confeiteiro opta por expandir excessivamente seu universo. A cidade de Windward enfrenta uma queda no turismo, o prefeito busca soluções improvisadas para atrair visitantes, e uma companhia de balé chega à ilha para montar um espetáculo local. É nesse contexto que Matt conhece Nicole (Maude Green), uma das bailarinas, iniciando um relacionamento imediato que o filme associa diretamente ao retorno de sua inspiração como padeiro.

A proposta de que a criação artística melhora automaticamente quando o artista está apaixonado é apresentada de forma literal e pouco desenvolvida. O roteiro sugere que o pão de Matt e a dança de Nicole ganham qualidade com o romance, mas não se preocupa em demonstrar esse processo de maneira concreta. A inspiração surge como um conceito abstrato, repetido em diálogos, inclusive pelo pai de Matt, personagem que funciona mais como um veículo de frases prontas do que como parte ativa da trama.

Enquanto isso, Annie passa a se relacionar com o coreógrafo da companhia de balé, ao mesmo tempo em que demonstra incômodo com o novo romance de Matt. O filme tenta reposicionar a personagem no terceiro ato, atribuindo suas atitudes ao desejo de investir em sua carreira como pintora, mas essa motivação não é construída ao longo da narrativa, o que dificulta a identificação do público com suas decisões.

O Filho do Confeiteiro (The Baker's Son, 2021) - Crítica do filme disponível no Prime Video

Curiosamente, a dinâmica entre Matt e Nicole soa mais coerente do que a relação sugerida como desfecho natural da história. Annie, apresentada como a escolha “correta”, acaba retratada de forma instável, o que enfraquece o impacto emocional pretendido. Quando as diversas subtramas finalmente convergem, já na reta final, o filme recorre a uma crise artificial para reorganizar seus caminhos, sacrificando ritmo e fluidez.

Crítica do filme: vale à pena assistir O Filho do Confeiteiro no Prime Video?

No balanço final, O Filho do Confeiteiro reúne elementos familiares ao romance televisivo, mas falha ao equilibrá-los. Ao tentar abraçar muitas ideias ao mesmo tempo, o longa perde a simplicidade que poderia sustentar sua proposta principal. O resultado é uma história que reconhece seus próprios clichês, mas não consegue transformá-los em envolvimento genuíno.