Desde os primeiros minutos, fica evidente que o foco do capítulo está na construção da parceria entre Dunk e Egg, agora plenamente estabelecida. Mais do que um aprendiz curioso, Egg assume de vez o papel de escudeiro, enquanto Dunk começa a entender o tipo de cavaleiro que deseja — e precisa — ser em Westeros.
Egg assume o papel de escudeiro
A manhã seguinte à primeira justa mostra Egg levando seus deveres a sério. Ele acorda antes de Dunk, conduz o cavalo de guerra Thunder para o treino e insiste em preparar o animal para obedecer comandos em combate. Mesmo enfrentando resistência inicial, o garoto demonstra paciência e dedicação, deixando claro que sua lealdade não é oportunista. Egg sabe que Dunk não tem aliados, nem dinheiro, nem família influente. Ele e Thunder são, literalmente, tudo o que Dunk possui.
Durante o treino, Egg encontra Sor Robyn Rhysling, conhecido como um dos cavaleiros mais excêntricos do torneio. O encontro reforça o contraste entre a postura confiante de Egg e sua condição física: o garoto se incomoda ao ser chamado de pequeno, mas rebate afirmando que Sor Duncan, o Alto, é grande o suficiente para ambos. A frase resume bem a admiração quase incondicional que Egg nutre por Dunk.
A dinâmica entre os dois se aprofunda quando Dunk, irritado ao perceber que Egg se afastou sozinho, acaba transformando o momento em uma lição prática. Ele ensina o garoto a costurar e explica tarefas básicas de escudeiro, criando um vínculo que mistura autoridade, afeto e aprendizado mútuo. Mesmo pronto para competir, Dunk é lembrado por Egg de que não lutará no primeiro dia, reservado apenas aos cavaleiros mais renomados.

O torneio e a corrupção à margem da honra
Enquanto aguardam a vez de Dunk, o torneio continua revelando o lado menos idealizado da cavalaria. Plummer, figura recorrente desde o episódio anterior, oferece a Dunk um acordo desonesto: uma luta combinada contra Androw Ashford para beneficiar apostas feitas pelo próprio anfitrião do evento. A proposta poderia resolver parte dos problemas financeiros de Dunk, mas ele recusa sem hesitar.
A decisão é crucial para a construção do personagem. Dunk pode ser ingênuo, mas não está disposto a negociar aquilo que entende como honra. Mesmo pressionado pela necessidade, ele prefere perder honestamente a vencer por fraude, reforçando o contraste entre sua visão de cavalaria e o cinismo dominante ao redor.
Aerion Targaryen mostra quem realmente é em O Cavaleiro dos Sete Reinos
O episódio ganha peso dramático quando Aerion Targaryen entra novamente em cena. Provocador e cruel, o príncipe escolhe enfrentar Sor Humfrey Hardyng na justa. O combate termina de forma brutal: Aerion ataca deliberadamente o cavalo do adversário, derrubando Humfrey e garantindo a vitória por meio de um truque violento.
A reação da multidão é imediata, e Egg, visivelmente perturbado, insiste que aquilo não foi um acidente. A percepção do garoto sobre Aerion sugere que ele sabe mais sobre o príncipe do que aparenta. Dunk tenta relativizar, dizendo que acidentes acontecem, mas o episódio deixa claro que Egg reconhece o padrão de crueldade de Aerion.
Esse momento funciona como uma virada temática: O Cavaleiro dos Sete Reinos deixa de tratar o torneio apenas como espetáculo e passa a expor a brutalidade estrutural por trás da nobreza guerreira.

Presságios e intimidade
Em um intervalo mais leve, Dunk e Egg assistem a uma apresentação musical de Lyonel Baratheon, enquanto o garoto demonstra curiosidade intelectual e senso crítico. A pausa, no entanto, é interrompida por uma vidente, que faz duas previsões simbólicas: Dunk será mais rico que um Lannister, enquanto Egg será rei, mas todos celebrarão sua morte.
Dunk ri da situação, tratando-a como superstição. Egg, por outro lado, reage com silêncio e seriedade. A cena reforça a diferença entre os dois: Dunk vive no presente; Egg carrega o peso do futuro.
O ataque de Aerion e a revelação final
A tensão atinge seu ápice quando Dunk se separa de Egg para conversar com Raymun Fossoway. Enquanto isso, Egg entra na tenda dos artistas para buscar o novo escudo de Dunk e encontra Aerion. Enfurecido com uma encenação em que um dragão perde, o príncipe ataca os artistas, ferindo gravemente Tanselle.
Dunk intervém imediatamente, agindo por puro instinto moral. Ele enfrenta Aerion e o agride, algo impensável para um cavaleiro errante sem título diante de um príncipe Targaryen. A situação foge do controle, e três cavaleiros são necessários para contê-lo. Aerion promete vingança, pronto para usar seu status para destruir Dunk.
É então que Egg entra em cena e muda tudo. Ignorando as ordens de Dunk para fugir, o garoto se apresenta pelo verdadeiro nome: Aegon Targaryen, um dos filhos desaparecidos de Maekar. A revelação paralisa todos ao redor e redefine completamente o equilíbrio de poder da série.

Crítica do episódio 3 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
Um episódio de afirmação
“O Escudeiro” consolida Dunk como um herói raro em Westeros: alguém que age antes de calcular consequências políticas. Ao mesmo tempo, revela que Egg nunca foi apenas um garoto comum, mas uma peça central na história do reino. O episódio encerra a primeira metade da temporada elevando as apostas narrativas e emocionais, transformando uma jornada modesta em um conflito que agora envolve diretamente a Casa Targaryen.
A partir daqui, O Cavaleiro dos Sete Reinos deixa claro que, mesmo em histórias menores, Westeros nunca está livre do peso do poder.