O Cavaleiro dos Sete Reinos - Crítica e Resumo do Episódio 6, Final da Temporada O Cavaleiro dos Sete Reinos - Crítica e Resumo do Episódio 6, Final da Temporada

O Cavaleiro dos Sete Reinos | Crítica e Resumo do Episódio 6, “O Amanhã”

O episódio 6 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, intitulado “O Amanhã”, encerra a primeira temporada com um tom deliberadamente mais contido e reflexivo. Depois da brutalidade do Torneio de Ashford e do Julgamento dos Sete, a série opta por desacelerar, concentrando-se nas consequências emocionais, políticas e morais desses eventos. É um capítulo que funciona menos como clímax e mais como epílogo, amarrando trajetórias e apontando caminhos para o futuro dentro do universo de Game of Thrones. Confira a nossa crítica e resumo do que rolou no episódio final.

Recapitulação do episódio 6 de O Cavaleiro dos Sete Reinos

A morte de Baelor Targaryen paira sobre todo o episódio. Sua ausência é sentida não apenas pela família, mas por Westeros como um todo. Baelor representava uma possibilidade rara naquele mundo: a de um poder exercido com equilíbrio e responsabilidade. Em “O Amanhã”, fica claro que, com sua queda, não morreu apenas um príncipe, mas a chance concreta de um futuro menos violento para o reino.

O peso da morte de Baelor e a culpa coletiva

O episódio dedica tempo significativo às reações em cadeia provocadas pela tragédia. Maekar Targaryen surge consumido pela culpa, consciente de que foi sua maça a responsável pelo golpe fatal. A série evita tratá-lo como vilão, preferindo retratá-lo como um homem duro, moldado por um mundo igualmente duro, agora obrigado a conviver com uma perda irreversível causada por suas próprias mãos.

Essa culpa também recai sobre Sor Duncan. Dunk passa boa parte do episódio questionando se sua sobrevivência valeu o preço pago. A dúvida não é retórica: a narrativa deixa claro que Baelor só entrou no combate por causa dele. O conflito interno de Dunk reforça um dos temas centrais da série — o custo humano da honra em um sistema que frequentemente a pune em vez de recompensá-la.

Dunk e a recusa ao “final feliz” fácil

Após o julgamento, Dunk recebe uma oferta tentadora: entrar oficialmente a serviço de Maekar, garantindo estabilidade, reconhecimento e um futuro previsível. Em qualquer outra história, essa seria a recompensa natural pelo heroísmo. O Cavaleiro dos Sete Reinos, porém, segue outro caminho. Dunk recusa.

Essa decisão não nasce de arrogância ou ingratidão, mas de coerência moral. Aceitar a proposta significaria legitimar um sistema que acabou de matar Baelor e quase o destruiu. Dunk prefere seguir o legado de Sor Arlan de Pennytree, optando pela estrada, pela incerteza e pela liberdade de agir segundo sua própria consciência.

A atuação de Peter Claffey sustenta esse arco com discrição. Sua interpretação transforma a bondade de Dunk em algo ativo, construído por escolhas difíceis, e não em ingenuidade. Em um universo conhecido por cinismo e traições, a série aposta em algo raro: a ideia de que ser um bom homem exige esforço constante.

O Cavaleiro dos Sete Reinos - Crítica e Resumo do Episódio 4, Os Sete

Maekar, Aerion e decisões que moldam o futuro

“O Amanhã” também marca um ponto de virada para Maekar. Consciente de seus erros, ele decide afastar Aerion Targaryen, enviando o filho para as Cidades Livres. A medida soa como tentativa de correção tardia, ainda que a série deixe claro que nem todos os problemas podem ser resolvidos com exílio.

Ao mesmo tempo, Maekar aceita, mesmo que a contragosto, que Aegon Targaryen continue ao lado de Dunk. Diferente da novela original de George R. R. Martin, a série opta por fazer Egg fugir, reforçando sua natureza inquieta e seu desejo de aprender longe das amarras da corte. A escolha enfatiza o conflito entre dever dinástico e vontade individual, um tema recorrente em todo o universo da franquia.

Crítica do episódio 6 (FINAL) de O Cavaleiro dos Sete Reinos

Um final que aponta para o caminho, não para o trono

A temporada se encerra de forma simbólica: Dunk e Egg na estrada, lado a lado, sem destino definido. Não há coroação, grande batalha ou reviravolta política. Há movimento. Há escolha. Há possibilidade.

Essa imagem final dialoga diretamente com o título do episódio. “O Amanhã” não pertence aos tronos nem às grandes casas, mas àqueles que seguem em frente apesar das perdas. Em contraste com séries como A Casa do Dragão, onde o poder é disputado a qualquer custo, O Cavaleiro dos Sete Reinos encerra sua primeira temporada apostando na esperança contida, quase silenciosa, de que outro tipo de história ainda pode ser contada em Westeros.

Com isso, a série fecha seu primeiro arco narrativo de forma coesa, deixando claro que seu interesse não está apenas nos grandes eventos históricos, mas nas escolhas individuais que moldam esses eventos. Dunk e Egg seguem adiante não como heróis grandiosos, mas como figuras improváveis, carregando consigo a ideia mais simples — e talvez mais revolucionária — de todas: a de que ainda vale a pena escolher o caminho certo, mesmo quando o mundo insiste em provar o contrário.