O segundo episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos, intitulado “Carne Salgada Dura”, aprofunda o retrato de Sor Dunk como um cavaleiro errante à beira do fracasso. A série da HBO Max segue deliberadamente distante da grandiosidade política de Game of Thrones, optando por uma abordagem mais íntima, quase cotidiana, sobre o que significa sobreviver em Westeros sem nome, dinheiro ou proteção. Se o episódio de estreia apresentou Dunk e Egg como uma dupla improvável, o capítulo seguinte testa essa parceria diante de um mundo que exige credenciais, não boas intenções.
Recapitulação do episódio 2 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A trama acompanha Dunk em sua tentativa insistente de garantir uma vaga no torneio de Ashford Meadow. Sem testemunhas de sua sagração e sem um brasão que o identifique, ele passa o episódio inteiro pedindo reconhecimento a homens que pouco se importam com cavaleiros errantes. É um percurso repetitivo por design: a narrativa faz questão de mostrar como o sistema de Westeros favorece sobrenomes, não histórias pessoais.
Dunk, Arlan e a memória que ninguém guarda
Ainda sem autorização oficial para competir, Dunk aborda diferentes lordes e cavaleiros contando a mesma história: ele foi escudeiro de Sor Arlan de Pennytree, um homem sem grandes feitos, mas correto e perseverante. O problema é simples e cruel: ninguém se lembra de Arlan. A insistência de Dunk em exaltar o caráter do antigo mentor, e não seus feitos militares, reforça o contraste entre o ideal de cavalaria que ele carrega e o pragmatismo do mundo ao redor.
Egg acompanha cada tentativa frustrada, demonstrando uma lealdade que surpreende pela rapidez com que se estabelece. Mesmo jovem, ele percebe que insistir nos mesmos argumentos não surtirá efeito e sugere alternativas mais diretas, incluindo a possibilidade de Dunk simplesmente se apresentar às listas. Quando os estandartes dos Targaryen cruzam o campo, Dunk tem uma intuição: talvez o caminho não seja convencer cavaleiros comuns, mas chamar a atenção de quem realmente manda.
O encontro com os Targaryen e a humilhação de Aerion
Nos estábulos, Dunk observa a chegada do príncipe Baelor Targaryen e de seu irmão, Maekar. A cena serve para apresentar uma nova geração da família real e, principalmente, Aerion Targaryen. Arrogante e cruel, Aerion confunde Dunk com um servo e o trata com desprezo, reforçando a distância entre sangue nobre e o restante de Westeros.

O momento muda quando o cavalo de Aerion se assusta e fere um homem. Dunk intervém, acalma o animal e evita algo pior. O gesto chama a atenção de dois membros da Guarda Real, Sor Roland Crakehall e Sor Donnel de Duskendale. Donnel, em especial, cria uma conexão imediata ao revelar que não vem de uma grande casa, lembrando Dunk de que nem toda honra nasce da nobreza.
Pouco depois, Dunk é levado até os aposentos dos príncipes e acaba diante de Baelor e Maekar. Acusado de espionagem, ele não tenta se esquivar. Explica sua situação de forma direta, assumindo que ninguém quer interceder por ele. A surpresa vem quando Baelor reconhece o nome de Sor Arlan, ainda que de maneira imprecisa. Mesmo corrigido de forma constrangida por Dunk, o príncipe demonstra respeito e, ao final, concorda em atestar sua condição de cavaleiro.
A vaga no torneio está garantida, mas com uma exigência: Dunk precisa de um brasão próprio.
Um escudo, um símbolo e dificuldades de comunicação
A busca por um brasão leva Dunk e Egg novamente ao teatro de marionetes, onde conhecem melhor Tanselle, a artista responsável pelas apresentações. Dunk pede que ela pinte seu escudo, mas percebe que nunca pensou realmente em um símbolo que o represente. Egg sugere um olmo; Dunk acrescenta uma estrela cadente. O brasão nasce simples, ligado à estrada e ao acaso, refletindo bem sua trajetória.
A cena também evidencia uma característica recorrente de Dunk: sua dificuldade em lidar com emoções. Ele fracassa ao tentar flertar com Tanselle e repete o mesmo padrão ao tentar confortar Egg, quando o garoto confessa que sempre foi considerado pequeno demais. Dunk se identifica, mas não sabe oferecer consolo real. A honestidade existe, a sensibilidade ainda não.

O custo de entrar no jogo
Garantir uma armadura adequada se revela mais doloroso. Dunk negocia com Steely Pate, que aceita reduzir o preço em troca da antiga armadura de Arlan, derretida para reaproveitamento. Ainda assim, não é suficiente. Dunk precisa vender um de seus cavalos, Sweetfoot, prometendo comprá-la de volta quando vencer o torneio.
A decisão reforça o peso simbólico do episódio: para seguir adiante, Dunk precisa abrir mão das últimas lembranças materiais de seu mentor. O torneio deixa de ser apenas uma chance de glória e passa a ser uma necessidade.
Crítica do episódio 2 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A justa e a dúvida final
Nos minutos finais, o torneio finalmente começa. A justa reúne príncipes, lordes e guerreiros experientes, deixando claro o nível da competição. Egg observa os escudeiros maiores e mais fortes; Dunk, por sua vez, encara a violência real do evento e percebe o quão despreparado pode estar.
À noite, os dois conversam sobre Arlan. Dunk admite que o homem não era o grande cavaleiro que ele idealizou, mas reforça que foi um pai. O episódio termina com Dunk decidido a honrar esse legado, não com vitórias garantidas, mas com a tentativa de provar que Sor Arlan merecia ser lembrado.
“Carne Salgada Dura” não acelera a narrativa de O Cavaleiro dos Sete Reinos, mas aprofunda seus temas centrais: identidade, mérito e memória. Em uma temporada curta, o ritmo pode parecer contido, mas o episódio constrói com cuidado o peso emocional que Dunk carrega para a arena.