Destaque entre os filmes mais assistidos do Prime Video, O Bom Vizinho (The Good Neighbor, 2022), dirigido por Stephan Rick, aposta em uma narrativa de suspense psicológico ancorada na força de seus personagens e no clima de tensão constante. Sem buscar reinvenções no gênero, o longa encontra sua identidade ao explorar relações marcadas por culpa, obsessão e manipulação, sustentadas por um elenco experiente. Leia a crítica do filme:
Sobre o que fala The Good Neighbor
A trama acompanha David (Luke Kleintank), um escritor em crise emocional e profissional após o fim de um relacionamento. Em busca de recomeço, ele aceita um trabalho em Riga, na Letônia, a convite de Grant (Bruce Davison), um amigo mais velho que lhe oferece abrigo e uma oportunidade de reorganizar a vida. Instalado na cidade, David conhece Robert (Jonathan Rhys Meyers), seu vizinho excêntrico e aparentemente solitário, com quem desenvolve uma relação rápida e intensa.
O ponto de virada da narrativa ocorre quando David se envolve em um acidente fatal após uma noite de bebida, atropelando Janine (Ieva Florence), uma mulher que havia acabado de conhecer. O acontecimento transforma o filme em um estudo sobre culpa e controle, especialmente quando Robert assume a liderança da situação e passa a ditar os rumos das decisões do protagonista. A partir daí, o que parecia uma amizade passa a revelar contornos inquietantes.
Jonathan Rhys Meyers é o principal motor dramático de O Bom Vizinho. Seu Robert constrói uma ameaça silenciosa, marcada por gestos contidos, olhares prolongados e comportamentos que revelam instabilidade emocional. A atuação cria um desconforto constante, transformando o personagem em uma presença imprevisível, cuja intimidade forçada com David se torna cada vez mais opressiva.
Luke Kleintank, por sua vez, oferece um protagonista ambíguo. David não é retratado como vítima passiva, mas como alguém fragilizado por escolhas equivocadas. Essa construção evita simplificações morais e contribui para que a tensão do filme se sustente no conflito psicológico entre os dois personagens centrais.
Bruce Davison cumpre bem o papel de figura de apoio, funcionando como contraponto emocional à espiral de eventos que envolve David. Já alguns personagens secundários, como Vanessa, poderiam ter recebido maior desenvolvimento, o que ajudaria a equilibrar melhor as subtramas que surgem ao longo do filme e, em certos momentos, afetam o ritmo.
Crítica: vale à pena assistir O Bom Vizinho no Prime Video?
Tecnicamente, O Bom Vizinho se beneficia da ambientação europeia. A fotografia valoriza as paisagens urbanas e os espaços fechados, reforçando a sensação de isolamento e vigilância. A direção opta por um ritmo direto, sem excessos estilísticos, concentrando-se na progressão da tensão e no comportamento dos personagens.
Em suma, O Bom Vizinho não apresenta grandes inovações dentro do suspense psicológico, mas demonstra domínio das convenções do gênero. O filme encontra força na atuação de Jonathan Rhys Meyers, na dinâmica entre os protagonistas e na atmosfera construída ao longo da narrativa. É uma experiência marcada pelo desconforto crescente, que confirma por que o título vem chamando a atenção do público no Prime Video (assista ao filme clicando aqui).