O k-drama O Amor Pode Ser Traduzido?, novo sucesso do catálogo da Netflix, aposta em uma premissa conhecida do gênero: dois personagens de mundos diferentes que se conectam por acaso, atravessados por barreiras culturais, linguísticas e emocionais. A série sul-coreana parte dessa base para explorar como sentimentos podem ser mal interpretados — ou até transformados — quando passam pelo filtro da tradução. Leia a nossa crítica da série:
Logo na cena de abertura, a produção apresenta uma situação simbólica. Uma mulher caminha em direção a um castelo, equipada com microfone e câmera, questionando detalhes aparentemente banais. A sequência funciona como um prenúncio da proposta da série: nada é simples quando se está exposto ao olhar público e quando cada palavra precisa ser cuidadosamente interpretada.
A trama gira em torno de Cha Mu-hee (Go Youn-jung), atriz coreana que, após um sucesso inesperado, se torna uma celebridade global. Durante as gravações de um reality show de namoro internacional, ela conhece Hiro Kurosawa (Sota Fukushi), um participante japonês. A comunicação entre os dois é mediada por Joo Ho-jin (Kim Seon-ho), tradutor experiente que atua nos bastidores da produção. É nesse triângulo que a série constrói seu principal conflito: até que ponto a tradução é neutra quando sentimentos entram em jogo?
O roteiro retorna um ano no tempo para mostrar o primeiro encontro entre Mu-hee e Ho-jin, em Tóquio. Na época, ela ainda era uma atriz pouco conhecida e estava na cidade para confrontar o ex-namorado. O encontro casual em um trem se transforma em um dia compartilhado, marcado por diálogos contidos e situações que revelam a sensibilidade do tradutor, que impõe limites claros ao que aceita traduzir. A sequência estabelece a dinâmica entre os dois personagens e reforça o papel da linguagem como elemento central da narrativa.
A série dá um salto narrativo significativo ao colocar Mu-hee em coma após um acidente no set de filmagem de um longa de zumbis. Durante esse período, o filme se torna um fenômeno internacional, alterando completamente o status da personagem. Ao acordar, ela se depara com uma fama que não acompanhou passo a passo, o que levanta questões sobre identidade, exposição e controle da própria imagem.
Esse avanço rápido pode soar conveniente, mas serve para posicionar a protagonista em um novo patamar dramático, no qual suas decisões passam a ter repercussão pública. É nesse contexto que o reencontro com Ho-jin, agora como tradutor do reality show, ganha novos contornos. A série sugere que, assim como palavras, pessoas também mudam de significado conforme o contexto.

Crítica do k-drama: vale à pena assistir O Amor Pode Ser Traduzido? na Netflix?
O Amor Pode Ser Traduzido? dialoga com outros k-dramas românticos da Netflix, como Business Proposal e Forecasting Love and Weather, ao equilibrar romance, humor pontual e conflitos profissionais. O texto de Hong Jung-eun e Hong Mi-ran aposta mais na química entre os protagonistas do que no realismo estrito, o que deve agradar ao público fiel do gênero.
Mesmo com uma narrativa inicial irregular, a série se sustenta pela relação entre Kim Seon-ho e Go Youn-jung e pela proposta de tratar a tradução não apenas como ferramenta técnica, mas como metáfora emocional. Para quem busca um romance contemporâneo com ambientação internacional e conflitos sentimentais claros, a produção se mostra uma aposta consistente da Netflix.