A 3ª temporada de O Agente Noturno confirma por que a produção criada por Shawn Ryan segue como um dos títulos mais assistidos da Netflix. Mesmo sem reinventar sua fórmula, a série aposta em ritmo acelerado, conspirações de alto nível e sequências de ação bem coreografadas para sustentar o interesse ao longo dos novos episódios — ainda que nem todas as escolhas narrativas funcionem com a mesma eficiência.
Desde o início, a temporada deixa claro que seu foco se desloca. A estrutura quase “hitchcockiana” da primeira fase, baseada em um agente comum atendendo uma ligação que muda sua vida, já ficou para trás. Agora, Peter Sutherland é um profissional experiente, profundamente inserido em operações de inteligência que envolvem terrorismo, corrupção financeira e interferência direta na Casa Branca. Essa mudança é coerente com a trajetória do personagem, mas também aproxima a série de um formato mais convencional de thriller político.
O grande tema da temporada é o financiamento do terrorismo a partir de instituições respeitáveis. A trama liga um ataque aéreo mortal a um banco envolvido em lavagem de dinheiro e a figuras políticas de alto escalão, incluindo o próprio presidente. A série acerta ao deslocar o foco dos executores diretos da violência para aqueles que lucram nos bastidores, ainda que simplifique alguns processos investigativos para manter o ritmo.
Um dos pontos mais sentidos é a ausência de Rose Larkin. A decisão de deixar a personagem fora da temporada até faz sentido dentro da história proposta, mas impacta a dinâmica emocional da série. A relação entre Peter e Rose funcionava como um contraponto humano ao excesso de conspirações, algo que agora precisa ser suprido por novas interações. A introdução da jornalista Isabel De Leon cumpre parte desse papel, mas a construção do vínculo é mais funcional do que emocional.
Em termos de elenco, a temporada é consistente. Gabriel Basso segue convincente como um protagonista contido, cuja rigidez emocional reflete o desgaste do trabalho. O destaque entre os novos personagens fica por conta do assassino conhecido como “O Pai”, que adiciona uma camada moral inesperada à narrativa, e de Adam, o agente designado para trabalhar com Peter, cuja presença cria bons momentos de tensão e contraste ideológico.
O ritmo, porém, é irregular. Os primeiros episódios demoram a engrenar, acumulando informações e subtramas antes de encontrar um eixo claro. Quando a história finalmente se organiza, a temporada ganha fôlego e passa a operar quase como um filme de ação fragmentado em capítulos. Ainda assim, a série sofre de um problema recorrente das produções da Netflix: a sensação de que algumas explicações são repetidas além do necessário.

Crítica da série: vale à pena maratonar a 3ª temporada de O Agente Noturno na Netflix?
Tecnicamente, O Agente Noturno continua eficiente. As cenas de perseguição e confronto são bem encenadas, e a montagem mantém a narrativa em movimento constante. O roteiro evita grandes riscos, mas entrega exatamente o que promete: entretenimento direto, com conflitos fáceis de acompanhar e resolução clara.
A 3ª temporada não é a mais ousada da série, mas sustenta seu sucesso ao reforçar aquilo que sempre funcionou. O Agente Noturno segue como um thriller político acessível, pensado para prender a atenção sem exigir envolvimento profundo. Pode não provocar grandes reflexões, mas cumpre seu papel como escapismo bem executado — e isso ajuda a explicar sua permanência no topo do streaming.