Em um mercado dominado por grandes franquias e universos compartilhados, produções de ação de médio orçamento seguem encontrando dificuldades para se destacar. Novocaine (2025), dirigido por Dan Berk e Robert Olsen a partir do roteiro de Lars Jacobson, surge como um desses projetos que apostam em uma ideia original para conquistar o público. Estrelado por Jack Quaid, o filme (que agora estreia na Netflix) entrega entretenimento direto, ainda que evite levar sua proposta ao limite. Leia a nossa crítica.
A trama acompanha Nathan Caine, um gerente assistente de banco que convive com uma condição genética rara que o impede de sentir dor física. Socialmente retraído, ele se aproxima de Sherry, uma nova funcionária da agência. Quando um assalto transforma o local em cenário de violência e Sherry é levada como refém, Nathan se vê forçado a agir, usando sua condição como ferramenta em uma perseguição improvisada.
A premissa sugere um filme de ação mais extremo, especialmente considerando o histórico de Berk e Olsen em produções com humor estranho e violência estilizada. No entanto, Novocaine opta por um caminho mais contido. Apesar de cenas que exploram o corpo de Nathan em situações de risco — amplamente divulgadas na campanha promocional — o longa evita exageros e mantém sua violência dentro de limites seguros para o público geral. Essa escolha resulta em uma experiência acessível, mas menos impactante do que poderia ser.
Jack Quaid sustenta o filme com uma atuação que reforça seu histórico como protagonista improvável. Conhecido por interpretar figuras comuns lançadas em contextos extremos, o ator constrói Nathan como alguém despreparado, mas progressivamente mais confiante. A transformação do personagem é conduzida de forma clara, permitindo que o espectador acompanhe sua adaptação à violência sem que isso soe artificial. O desempenho contribui para a empatia com a narrativa, mesmo quando o roteiro adota soluções previsíveis.
Amber Midthunder, no papel de Sherry, apresenta uma personagem que ganha camadas ao longo do filme. Sua presença vai além da função narrativa de motivação do herói, especialmente no ato final, quando a trama exige mais envolvimento físico e emocional. Jacob Batalon, como Roscoe, ocupa o espaço tradicional do apoio técnico à distância, oferecendo momentos pontuais de humor e funcionando como contraponto à tensão das cenas de ação.
O roteiro encontra seu principal diferencial na forma como transforma uma condição física em recurso narrativo. Sem recorrer a explicações científicas extensas, o filme utiliza essa característica para justificar decisões e situações, evitando que a história se reduza a um simples resgate. Ainda assim, o humor proposto nem sempre funciona. As piadas verbais são irregulares e raramente provocam impacto, enquanto o humor visual se mostra mais eficiente.
Crítica: vale à pena assistir Novocaine na Netflix?
Na direção, Berk e Olsen mantêm ritmo constante e encadeiam as sequências de ação de forma clara. Algumas cenas se destacam pela criatividade no uso de objetos e espaços, embora o conjunto nunca ultrapasse o território do seguro. Novocaine entrega exatamente o que promete: uma experiência de ação funcional, sustentada por boas atuações e uma ideia central interessante, mas que deixa a sensação de que poderia ter ido além.
No fim, trata-se de um filme competente dentro de sua proposta, que valoriza a originalidade sem assumir riscos maiores. Uma opção sólida para quem busca ação fora das franquias, ainda que não deixe marcas duradouras.