Na Lama - Crítica e Fatos da 2ª Temporada da Série Argentina Netflix Na Lama - Crítica e Fatos da 2ª Temporada da Série Argentina Netflix

Na Lama – 2ª Temporada | Crítica da Série | Netflix

A segunda temporada de Na Lama (En el barro), série argentina da Netflix criada por Sebastián Ortega, chega ao catálogo propondo uma reorganização clara de sua própria estrutura narrativa. Ambientada novamente na prisão feminina de La Quebrada, a nova leva de episódios abandona parte da lógica apresentada no primeiro ano para explorar um cenário marcado por novas lideranças, alianças instáveis e um ambiente ainda mais imprevisível. O resultado é uma temporada que não busca repetir fórmulas, mas sim testar os limites do universo que construiu. Confira a nossa crítica.

Logo na abertura, a série estabelece seu tom ao apresentar um grupo de mulheres envolvidas em golpes sofisticados fora da prisão, antes de serem levadas para La Quebrada. A sequência funciona como síntese do que a temporada pretende discutir: sobrevivência, oportunismo e adaptação em contextos extremos. O retorno de Gladys Guerra, vivida por Ana Garibaldi, serve como fio condutor para o espectador reencontrar um espaço que já não funciona sob as mesmas regras. A antiga hierarquia ruiu, e novas figuras passaram a controlar os fluxos de poder dentro da penitenciária.

A introdução de uma nova diretora, Beatriz Lanteri, altera de forma decisiva a dinâmica institucional. Sua presença reforça a ideia de que o controle da prisão não se limita às detentas, mas também às decisões administrativas e às relações ambíguas entre autoridade e corrupção. Em paralelo, a ascensão de Gringa Casares como líder informal do bloco principal desloca o eixo narrativo para um território mais explícito, onde exploração, intimidação e negociações ilícitas são conduzidas sem disfarces. A atuação de Verónica Llinás dá densidade à personagem, que se impõe menos pela estratégia e mais pela imprevisibilidade.

Diferentemente da primeira temporada, em que o grupo das chamadas “mulheres da lama” atuava de forma mais coesa, os novos episódios apostam na fragmentação. Cada personagem passa a seguir seus próprios interesses, o que amplia o número de conflitos e reduz a sensação de unidade. Essa escolha aproxima a série de produções como Orange Is the New Black, especialmente na forma como o foco se desloca do protagonismo individual para um mosaico de histórias que se cruzam e se chocam constantemente.

Narrativamente, a temporada se mostra mais ambiciosa. Tramas envolvendo crimes externos, investigações internas e disputas emocionais se sobrepõem, nem sempre com o mesmo grau de desenvolvimento. Em alguns momentos, o roteiro parece acelerar acontecimentos para manter a tensão, o que pode comprometer a coerência de certas decisões. Ainda assim, o texto acerta ao evitar personagens unidimensionais, oferecendo contexto suficiente para que atitudes contraditórias façam sentido dentro daquele ecossistema.

Na Lama - Crítica e Fatos da 2ª Temporada da Série Argentina Netflix

Crítica da série: vale à pena maratonar a 2ª temporada de Na Lama na Netflix?

Tecnicamente, a direção mantém uma abordagem contida, explorando corredores, celas e espaços coletivos com enquadramentos fechados que reforçam a sensação de vigilância constante. A trilha sonora surge de forma pontual, funcionando mais como reforço de atmosfera do que como guia emocional. O ritmo varia entre episódios mais ágeis e outros mais contemplativos, refletindo a instabilidade que define La Quebrada nesta fase.

No balanço geral, a segunda temporada de Na Lama (En el barro) não busca conforto nem repetição. Ao reformular suas relações de poder e ampliar o olhar sobre suas personagens, a série se consolida como um drama carcerário interessado menos em choques pontuais e mais nas consequências de cada escolha. Mesmo com irregularidades, o foco nos conflitos humanos sustenta o interesse e deixa o terreno preparado para novos desdobramentos.