Recém-chegada ao catálogo da Netflix, Motorvalley (2026) aposta em uma combinação já conhecida do público: conflitos familiares, personagens em queda livre e o universo competitivo das corridas de automóveis. Criada e dirigida por Matteo Rovere, a série italiana de seis episódios retoma temas que o cineasta explorou com sucesso em Veloce come il vento, agora ampliados para o formato seriado e ambientados no circuito italiano de GT. Confira a nossa crítica da série.
A trama parte de um escândalo que implode uma tradicional equipe de corrida. Elena Dionisi (Giulia Michelini), engenheira e herdeira natural do time fundado pelo pai, altera ilegalmente um carro para garantir uma vitória. A fraude vem à tona, a equipe é punida com a perda de pontos e suspensão, e o patriarca da família não resiste às consequências do golpe. Com a morte do pai e a desmoralização pública, Elena é afastada do comando, que passa para o irmão, interessado em transformar o legado esportivo em uma vitrine comercial.
Isolada e sem recursos, Elena decide recomeçar do zero. Para isso, reúne dois nomes igualmente marginalizados pelo sistema. O primeiro é Blu (Caterina Forza), uma jovem piloto com talento evidente, mas comportamento instável e histórico criminal ligado a corridas ilegais e furtos de carros de luxo. O segundo é Arturo (Luca Argentero), ex-campeão que abandonou as pistas após um acidente traumático — o mesmo que tirou a vida do pai de Blu. A série constrói, a partir desse trio, um núcleo marcado por culpa, desconfiança e interesses conflitantes.
Motorvalley segue uma estrutura narrativa previsível dentro do gênero. O treinamento exaustivo da piloto indisciplinada, as dificuldades financeiras constantes, a rivalidade com uma equipe mais poderosa e o peso das relações familiares moldam o arco da temporada. Com o avanço dos episódios, a história reduz o foco nos coadjuvantes e concentra seus esforços no embate direto entre a nova equipe de Elena e o time comandado por seu irmão, reforçando o caráter pessoal da disputa esportiva.
Há também espaço para um romance anunciado desde os primeiros encontros entre Elena e Arturo, ainda que esse elemento funcione mais como extensão do melodrama do que como motor narrativo. Nada foge muito do esperado, e a série não demonstra interesse em subverter convenções.

Crítica da série: vale à pena assistir Motorvalley na Netflix?
Onde Motorvalley realmente investe é na ação. As corridas oficiais, as disputas clandestinas e as sequências de perseguição ocupam o centro da experiência. A direção adota uma edição acelerada, cortes constantes e trilha eletrônica contínua, criando um ritmo que raramente desacelera. A abordagem privilegia a sensação de urgência e risco, tratando a velocidade como identidade e modo de vida, não apenas como competição esportiva.
Filmada na região da Emilia-Romagna — conhecida como o “Vale do Motor” italiano, berço de marcas históricas do automobilismo —, a série utiliza o cenário como parte de sua força simbólica. Motorvalley não busca inovação nem complexidade temática, mas entrega exatamente o que propõe: adrenalina, conflito e carros em alta rotação. Para fãs de produções como Velozes e Furiosos e Drive to Survive, trata-se de uma aposta direta, eficiente e sem surpresas.