O sexto episódio da segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros, intitulado “Réquiem”, aprofunda o impacto emocional dos acontecimentos recentes enquanto expande a mitologia do Monsterverse com conceitos cada vez mais ambiciosos. Após a morte de Hiroshi, a série desacelera o ritmo da ação para explorar luto, rupturas familiares e decisões que podem redefinir o futuro da humanidade diante dos Titãs. Ao mesmo tempo, a narrativa introduz ideias intrigantes envolvendo dilatação do tempo e possíveis paradoxos temporais, elevando ainda mais as apostas. Leia a crítica e resumo do que rolou na série do AppleTV+.
Um passado marcado por rupturas
“Réquiem” retorna a 1958 para revisitar um momento decisivo na formação da Monarch. Bill Randa e Keiko finalmente conquistam um espaço próprio dentro da organização, agora sediada em Arlington, Virgínia. No entanto, o clima de conquista é rapidamente abalado pela decisão de Lee Shaw de deixar a equipe.
A saída não é motivada por ordens superiores, mas por um conflito pessoal: o envolvimento amoroso entre Lee e Keiko, que traiu a confiança de Bill. A tensão silenciosa entre os três personagens evidencia que a dinâmica do grupo foi irremediavelmente alterada. Ainda que pouco seja dito explicitamente, o peso emocional dessa ruptura reverbera ao longo de toda a narrativa.

Lee tenta recomeçar em uma nova função militar, mas o reencontro com seu pai, o rígido coronel Leland Shaw, expõe outra camada de conflito. Ao interferir diretamente no destino do filho e redirecioná-lo para a guerra no Vietnã, Leland reforça uma crítica à mentalidade militarista e à ideia de controle sobre o destino alheio. Inconformado, Lee decide retornar à Monarch, disposto a priorizar a pesquisa sobre os Titãs acima de seus dilemas pessoais.
Luto e ressentimento no presente
De volta ao presente, o episódio mergulha no funeral de Hiroshi, um dos momentos mais sensíveis da temporada. A dor da perda é compartilhada entre os personagens, mas se manifesta de formas distintas. Keiko, que havia reencontrado o filho após décadas, enfrenta um luto particularmente devastador.
Kentaro, por sua vez, reage com raiva e frustração. Incapaz de processar completamente a perda, ele direciona parte de sua dor contra Cate, culpando-a indiretamente pelos eventos que levaram à morte de Hiroshi. O ressentimento evidencia a fragilidade emocional do personagem e prepara o terreno para decisões questionáveis ao longo do episódio.
A cerimônia também marca o retorno de um rosto conhecido: o Dr. Suzuki, antigo colaborador da Monarch e peça-chave no desenvolvimento de tecnologias relacionadas aos Titãs. Sua presença reforça a continuidade histórica da organização e reabre conexões com eventos do passado.
Entre ciência e risco: o plano de Suzuki
Após o funeral, Suzuki reúne Lee, Keiko e Cate para discutir um tema central: a dilatação do tempo associada às fendas que conectam o mundo à chamada Axis Mundi. Esse fenômeno explica por que alguns personagens envelhecem de forma diferente — ou quase não envelhecem — após atravessar essas zonas.
Suzuki revela que aprimorou o dispositivo de comunicação com Titãs, levando em consideração essas distorções temporais. A proposta é ousada: localizar Godzilla e atraí-lo até Co-Cai, usando-o como uma força de equilíbrio natural.
A menção a Godzilla reforça a escala do plano e suas possíveis consequências catastróficas. Trazer o rei dos monstros para o conflito pode resolver um problema — mas também criar outro ainda maior.
Lee apoia a ideia e decide agir imediatamente, partindo com Suzuki para testar o dispositivo em um local associado a uma antiga fenda. A decisão divide o grupo, especialmente porque Keiko e Cate enxergam riscos extremos nessa abordagem.

Cate e uma conexão além da ciência
Enquanto Lee e Suzuki seguem com seu plano, Cate e Keiko exploram uma alternativa mais intuitiva — e potencialmente mais segura. Desde os eventos em Santa Soledad, há indícios de que Cate desenvolveu uma ligação incomum com os Titãs, especialmente com Co-Cai.
Essa conexão se manifesta de forma sutil, mas inquietante. Durante um momento à beira de um lago, Cate provoca ondulações na água que se comportam de maneira inversa ao esperado, sugerindo uma interação baseada em frequências ou vibrações.
Keiko interpreta o fenômeno como uma possível comunicação infrassônica, semelhante à utilizada pelos próprios Titãs. Caso confirmado, isso abriria caminho para uma abordagem completamente nova: em vez de controlar ou combater as criaturas, seria possível guiá-las.
A descoberta ganha ainda mais relevância quando as duas concluem que Co-Cai pode estar desorientado, incapaz de encontrar seu caminho natural. Isso sugere que o comportamento destrutivo do Titã não é necessariamente intencional, mas resultado de desestabilização.

Kentaro à beira de uma decisão perigosa
Paralelamente, Kentaro segue um caminho cada vez mais instável. Em um encontro com May, ele aceita suas desculpas pela participação indireta nos eventos que levaram à morte de Hiroshi. No entanto, o momento rapidamente se transforma em algo mais complexo.
Movido por carência emocional e confusão, Kentaro tenta se aproximar romanticamente de May, revelando sentimentos que parecem desalinhados com o momento de luto. A situação evidencia sua dificuldade em lidar com a perda de forma madura.
Logo após, surge uma nova figura: Isabel, filha de Walter Simmons, ligada à Apex Cybernetics. Sua aproximação não é coincidência, mas parte de uma estratégia clara de recrutamento.
Mesmo desconfiado, Kentaro aceita a proposta de se aproximar da Apex, sugerindo uma possível mudança de lado. A decisão levanta questionamentos sobre suas motivações — que parecem misturar dor, impulsividade e desejo de pertencimento.

Uma fenda que desafia o tempo
O clímax de “Réquiem” ocorre quando Lee e Suzuki conseguem reabrir uma fenda associada à Axis Mundi. A expectativa inicial é a possível chegada de Godzilla, mas o que acontece é ainda mais intrigante.
Em vez de um Titã emergindo, Lee estabelece contato com um sinal de rádio que parece vir do passado — possivelmente de sua própria versão durante os eventos da primeira temporada. O momento sugere a existência de um ciclo temporal ou, no mínimo, uma sobreposição de linhas temporais.
A cena levanta diversas interpretações. Trata-se de uma comunicação real entre versões do mesmo personagem em tempos diferentes? Ou apenas um eco residual captado pela tecnologia de Suzuki? Independentemente da resposta, o episódio planta as sementes para uma exploração mais profunda de viagens no tempo dentro do Monsterverse.
Consequências e expectativas
“Réquiem” funciona como um episódio de transição, mas longe de ser filler. Ao equilibrar drama humano e expansão mitológica, a série reforça sua identidade única dentro do universo de monstros gigantes.
Com Kentaro possivelmente se aproximando da Apex, Cate desenvolvendo habilidades inéditas e Lee lidando com fenômenos que desafiam a lógica, a narrativa se encaminha para um conflito cada vez mais complexo.
A grande questão agora é: qual abordagem prevalecerá? O controle tecnológico da Apex, a intervenção agressiva envolvendo Godzilla ou a tentativa de comunicação liderada por Cate?
Independentemente da resposta, Monarch: Legado de Monstros segue provando que, por trás do espetáculo dos Titãs, há uma história profundamente humana — marcada por escolhas difíceis, perdas irreparáveis e consequências que atravessam o tempo.