O segundo capítulo de Memória de um Assassino, intitulado “O Barqueiro”, aprofunda o clima de paranoia apresentado no piloto e amplia o mistério em torno do passado — e da mente — de Angelo Doyle. Disponível na HBO Max, o episódio equilibra investigação, violência e drama familiar, enquanto introduz uma nova figura que promete ter peso central na narrativa da temporada. Confira a crítica e resumo do episódio 2.
Recapitulação do episódio 2 de Memória de um Assassino
O episódio começa logo após o tiroteio no restaurante. Angelo está sentado na sala de espera do hospital, visivelmente abalado, enquanto um noticiário ao fundo menciona o assassinato de um cientista ocorrido dois anos antes. O detalhe desperta uma lembrança incômoda: Angelo recorda que foi ele próprio quem matou o cientista Robert Park naquele período, sinalizando que memórias enterradas começam a emergir de forma desordenada.
Autorizado a ver Maria, Angelo encontra a filha fora de perigo, apesar de ela ter sido atingida de raspão. Ainda no hospital, ele decide contar a verdade sobre a libertação de Earl, o homem responsável pela morte de Leah. A revelação deixa Maria em pânico, mas Angelo tenta acalmá-la ao receber uma ligação de Dave, que informa que Earl está sob custódia policial e sendo interrogado.
Na sala de interrogatório, Earl nega qualquer envolvimento no atentado, mas menciona ter ouvido falar sobre alguém disposto a atirar em um criminoso “recompensado”. Antes que a conversa avance, Dave é interrompido por uma ligação da agente do FBI Linda Grant, que pede cautela e sugere que Earl pode estar delirando por causa do alcoolismo. Mesmo assim, a palavra “Barqueiro”, citada de forma indireta, fica martelando na mente de Angelo.
De volta ao esconderijo, Angelo escuta uma mensagem de voz de Dutch, que o acusa de mentir e exige um encontro. Quando os dois se encontram, a conversa rapidamente se transforma em confronto. Dutch pressiona Angelo sobre a morte de Carl, enquanto Angelo insiste que não foi o responsável e pede que Nicky seja questionada. A confiança entre os dois, já fragilizada, sofre um novo abalo.
Apesar da tensão, Dutch entrega a Angelo uma nova missão: eliminar Patavoukas, um contador da máfia. Antes do assassinato, porém, Angelo precisa recuperar um pen drive guardado no cofre da vítima. Angelo demonstra receio de chamar atenção demais, mas aceita o trabalho, ciente de que recusar não é uma opção real.
Em paralelo, Maria e Jeff conversam sobre o comportamento de Angelo. Jeff expressa desconfiança e acredita que o sogro esconde algo sério, enquanto Maria tenta defender o pai, ainda abalada pelos acontecimentos recentes.
Na manhã seguinte, Angelo retorna ao restaurante do atentado em busca de pistas e entra em contato com Belinda, uma fabricante de balas personalizadas. Pouco depois, ele e Joe se disfarçam para acessar a casa de Patavoukas. A ação é direta: os guarda-costas são mortos, o contador é forçado a abrir o cofre e, mesmo oferecendo dinheiro em troca da própria vida, acaba executado. Angelo recupera o pen drive e deixa o local sem demonstrar hesitação.
Mais tarde, Dave informa que o FBI está investigando o tiroteio e que apenas quatro das cinco balas disparadas foram recuperadas. A quinta bala, de aparência incomum, permanece desaparecida. Angelo não revela que ficou com ela e, ao analisá-la em seu banco de dados, percebe que não encontra nenhuma correspondência conhecida.
O episódio retorna ao hospital, onde Angelo acorda ao lado de Maria e encontra Linda. A agente o questiona sobre o incidente; a memória dele parece fragmentada, mas Linda o elogia pela reação rápida durante o ataque. A conversa deixa implícito que Angelo está sob observação, ainda que não seja tratado como suspeito direto.

Determinando a origem da bala, Angelo reencontra Belinda, que nega ter produzido aquele tipo de munição. A desconfiança recai sobre Wesley, assistente dela, que teria agido pelas costas. Seguindo essa pista, Angelo chega até Henry Bloch, o atirador, escondido em um motel. Após interrogá-lo com violência, descobre que o ataque foi encomendado por um homem misterioso conhecido apenas como “O Barqueiro”.
Angelo mata Henry, jogando-o de uma ponte em um rio, mas em seguida vive um momento de desorientação ao não conseguir encontrar o caminho de volta para o carro. A breve perda de direção reforça o medo de que sua memória esteja falhando de forma cada vez mais perigosa.
Enquanto isso, Linda visita Maria e conversa sobre o passado militar de Angelo, usado como explicação oficial para sua reação durante o tiroteio. A agente alerta que Maria ainda corre perigo, o que a deixa visivelmente abalada e insegura em relação ao futuro.
À noite, Angelo leva compras para a casa da filha e janta com Maria e Jeff. Durante a visita, Jeff encontra um casaco de luxo esquecido por Angelo e mostra a Maria. Ao vasculhar o bolso, ela encontra um artigo de jornal sobre o assassinato de Patavoukas, ocorrido poucas horas antes, despertando suspeitas silenciosas.
O episódio se encaminha para o final com Angelo comemorando o aniversário de 60 anos de Dutch em seu restaurante. Os dois conversam sobre a imprudência de Joe, mas Dutch pede paciência com o sobrinho. Na manhã seguinte, Maria devolve o casaco ao pai e comenta sobre a marca cara. Angelo inventa uma desculpa, mas percebe a hesitação no olhar da filha. Sozinho, ele encontra o recorte de jornal no bolso e entende que sua vida dupla começa a ameaçar o vínculo mais importante que ainda possui.

Análise crítica do episódio 2 de Memória de um Assassino
“O Barqueiro” reforça a ideia de que o maior inimigo de Angelo pode não ser apenas uma figura externa, mas a própria mente. Os lapsos de memória, agora mais frequentes, deixam de ser apenas detalhes inquietantes e passam a interferir diretamente em decisões e deslocamentos.
A introdução do misterioso Barqueiro amplia o escopo da narrativa e sugere uma conspiração maior, ainda pouco compreendida. Ao mesmo tempo, o episódio investe na erosão da confiança familiar, especialmente a partir do momento em que Maria começa a perceber inconsistências no comportamento do pai.
A atuação de Patrick Dempsey segue contida, sustentando a ambiguidade de um homem que tenta manter o controle enquanto tudo ao redor começa a ruir. Como segundo episódio, “O Barqueiro” não apenas avança a trama, mas aprofunda os dilemas centrais da série, deixando claro que a ameaça à vida de Angelo é tão psicológica quanto física.