Memória de um Assassino (Memory of a Killer) Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série Memória de um Assassino (Memory of a Killer) Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série

Memória de um Assassino (2026) | Crítica da Série | HBO Max

A série Memória de um Assassino (Memory of a Killer), produção da FOX, chega ao Brasil pela HBO Max com dois episódios iniciais que deixam clara sua principal ambição: unir o thriller criminal de ritmo acelerado a um drama centrado na perda de memória. Criada por Ed Whitmore e Tracey Malone, a série se inspira livremente no livro e no filme belga De Zaak Alzheimer e aposta em uma premissa de alto risco narrativo.

A trama acompanha Angelo Flannery, vivido por Patrick Dempsey, um homem que construiu durante décadas uma vida dupla impecável. Para a família, ele é apenas um vendedor de copiadoras que viaja a trabalho; no submundo do crime, atua como assassino de aluguel a serviço de Dutch, interpretado por Michael Imperioli. Esse equilíbrio começa a ruir quando Angelo passa a apresentar sinais de Alzheimer de início precoce, condição que ameaça tanto sua eficiência profissional quanto a segurança de quem está ao seu redor.

Nos episódios iniciais de Memória de um Assassino, a série se empenha em estabelecer rapidamente esse conflito. O contraste entre a rotina pacata em uma pequena cidade e as missões violentas em Nova York sustenta a tensão dramática, enquanto pequenos lapsos — senhas esquecidas, objetos guardados nos lugares errados — funcionam como alertas de que o controle de Angelo está por um fio. O problema é que, nesse começo, a abordagem da doença ainda parece superficial, servindo mais como gatilho narrativo do que como eixo dramático plenamente explorado.

O roteiro também acumula subtramas. Além da ameaça representada por inimigos do passado e pela possível vingança de um motorista bêbado responsável pela morte da esposa de Angelo, a história introduz a investigação conduzida pela agente do FBI Linda Grant, vivida por Gina Torres. A presença dela adiciona pressão ao protagonista, mas reforça a sensação de que há mais elementos em jogo do que o necessário para os primeiros capítulos.

Essa sobrecarga narrativa pode se tornar um risco à medida que a série avança. Quase todos os conflitos orbitam Angelo, o que concentra demais o peso dramático em um único personagem. Ainda assim, o carisma de Dempsey sustenta o interesse. O ator convence tanto como pai dedicado quanto como profissional frio e metódico, explorando o choque entre essas duas faces sem recorrer a excessos.

Memória de um Assassino (Memory of a Killer) Crítica e Fatos da 1ª Temporada da Série

Crítica da série: vale à pena assistir Memória de um Assassino na HBO Max?

Visualmente e em termos de ritmo, Memória de um Assassino funciona como um thriller eficiente, com cenas de ação diretas e montagem ágil. A série se insere em uma tradição recente de anti-heróis da TV, lembrando produções como Dexter, embora ainda não tenha encontrado uma identidade própria tão definida.

No balanço geral, os dois primeiros episódios indicam uma produção competente, mas ainda em busca de foco. O potencial está justamente no conflito entre a mente falha de Angelo e a vida que ele tenta manter sob controle. Se a série conseguir aprofundar esse dilema e reduzir a dispersão de tramas, pode se diferenciar dentro do gênero. Por enquanto, fica a sensação de um thriller promissor que ainda precisa decidir exatamente o que quer ser.