Dirigido por Josh Safdie e escrito em parceria com Ronald Bronstein, Marty Supreme se impõe como um dos títulos mais comentados da temporada e como um forte candidato a marcar presença no Oscar 2026, especialmente pelo trabalho central de Timothée Chalamet. O filme confirma a capacidade de Safdie de transformar figuras movidas por ambição em retratos inquietos do sonho americano, agora filtrado pelo universo improvável do tênis de mesa competitivo nos anos 1950. Confira a nossa crítica do filme.
Ambientado no Lower East Side de 1952, Marty Supreme acompanha Marty Mauser, jovem falastrão e talentoso jogador de pingue-pongue que se recusa a aceitar uma vida previsível. Chalamet constrói o personagem como alguém sempre em movimento, guiado por planos grandiosos e por uma confiança que frequentemente beira a autossabotagem. A atuação dialoga diretamente com o tipo de protagonista que consagrou o cinema dos Safdie: figuras carismáticas, impulsivas e incapazes de reconhecer limites claros entre ambição e delírio.
Ao assumir sozinho a direção, Josh Safdie mantém traços reconhecíveis de sua filmografia, mas ajusta o tom. O caos aqui é mais ensolarado, quase otimista, mesmo quando o roteiro expõe as consequências das escolhas de Marty. Diferente da ansiedade constante de Joias Brutas ou do desespero urbano de Good Time, Marty Supreme aposta em uma energia expansiva, sustentada por diálogos rápidos, montagem precisa e partidas de tênis de mesa filmadas como confrontos decisivos.
O filme também se destaca pela forma como constrói seu entorno. A Nova York do pós-guerra surge menos como cenário nostálgico e mais como um espaço de fricções sociais e econômicas. A cinematografia de Darius Khondji e a direção de arte de Jack Fisk recriam uma cidade pulsante, onde classe, identidade e oportunidade estão em constante choque. Essa ambientação reforça o conflito interno de Marty, um jovem judeu-americano que vê no esporte uma rota de fuga e afirmação.
No elenco de apoio, Odessa A’Zion chama atenção como Rachel, figura que equilibra afeto, frustração e lealdade, funcionando como contraponto emocional ao protagonista. Gwyneth Paltrow, em retorno às telas, surge como uma presença simbólica do glamour que Marty acredita poder alcançar. Já Tyler, the Creator adiciona uma camada inesperada ao filme, ampliando o senso de comunidade marginal que cerca o protagonista.

Crítica: Marty Supreme é um bom filme?
A trilha sonora de Daniel Lopatin contribui decisivamente para o ritmo do filme, misturando referências temporais e sustentando a progressão emocional da narrativa. Mesmo quando o terceiro ato pesa o excesso de confiança de Marty, Safdie mantém controle técnico e clareza temática.
Marty Supreme é menos sobre vitórias esportivas e mais sobre a recusa em aceitar a derrota como destino. Ao entregar talvez o papel mais completo de sua carreira, Timothée Chalamet reforça sua posição entre os nomes centrais do cinema contemporâneo. O resultado é um filme que observa o idealismo da classe trabalhadora sem romantizá-lo, expondo suas contradições e insistências com energia, humor e precisão.