Mal de Amores, nova série mexicana da Netflix, usa um romance de época ambientado durante a Revolução Mexicana para contar uma história que vai muito além de um triângulo amoroso. Com sete episódios, a produção acompanha Emilia Sauri (Renata Vaca), uma jovem que deseja estudar medicina e construir a própria trajetória em uma sociedade que insiste em determinar o lugar das mulheres.
Ambientada em Puebla às vésperas da Revolução de 1910, a série encontra seu principal conflito justamente na tentativa de Emilia de conciliar amor, profissão e liberdade. Criada em um ambiente familiar aberto a debates políticos, ela cresce determinada a exercer a medicina, enquanto Daniel Cuenca (Juan Pablo Fuentes), seu amor de infância, se envolve com os ideais revolucionários. Do outro lado está Antonio Zavalza (Iván Amozurrutia), um médico pacifista que reconhece o talento de Emilia e apoia suas ambições.
Um triângulo amoroso que não define Emilia
O romance é importante para Mal de Amores, mas não é o elemento que conduz a personagem. Emilia não funciona como um prêmio disputado pelos dois homens. Cada relacionamento representa uma possibilidade diferente de vida, mas sua trajetória profissional e sua autonomia permanecem no centro da narrativa.
Renata Vaca sustenta bem essa proposta. A atriz apresenta uma Emilia curiosa, determinada e, ao mesmo tempo, insegura diante das escolhas que precisa fazer. Sua rebeldia não parece uma característica artificial criada para diferenciá-la das demais mulheres de seu período, mas uma decisão construída diariamente.
Juan Pablo Fuentes confere inquietação a Daniel, enquanto Iván Amozurrutia aposta na contenção para construir Antonio. Cassandra Ciangherotti também se destaca como Milagros, tia progressista de Emilia e uma referência importante para que a protagonista enxergue outras possibilidades além das convenções sociais.

A Revolução Mexicana amplia o conflito
O contexto histórico não está presente apenas na ambientação. A Revolução Mexicana funciona como extensão dos conflitos pessoais dos personagens. Enquanto Daniel acredita na transformação pela ação política e Antonio defende uma postura pacifista, Emilia luta por uma forma diferente de liberdade.
Essa escolha faz com que a série seja mais íntima do que uma produção focada nas batalhas da Revolução. A política interfere diretamente nas relações, nas escolhas profissionais e na vida familiar, sem substituir a história de Emilia.
Vale a pena assistir Mal de Amores na Netflix?
Sim. Mal de Amores é especialmente indicada para quem gosta de romances históricos que utilizam o período retratado para discutir questões sociais. A série é menos recomendada para quem procura uma saga militar ou um romance convencional.
Adaptada do romance homônimo de Ángeles Mastretta, publicado em 1996, a produção foi desenvolvida por Catalina Aguilar Mastretta, filha da autora, em parceria com o diretor Humberto Hinojosa. A adaptação preserva a ideia central de que Emilia pode amar sem abrir mão da própria identidade.
Mal de Amores encontra seu melhor argumento na trajetória de Emilia Sauri. O romance movimenta parte da história, mas é sua busca por autonomia profissional e pessoal que dá sentido à série. Renata Vaca conduz essa jornada com segurança, enquanto o contexto da Revolução Mexicana amplia o conflito sem tirar a protagonista do centro.