Depois de três anos de espera, Lupin: Parte 4 marca o retorno de Assane Diop à Netflix com uma história que recupera os elaborados roubos, as fugas improváveis e os jogos de inteligência que ajudaram a transformar a produção francesa em um dos maiores sucessos internacionais da plataforma. Estrelada por Omar Sy, a nova temporada coloca o protagonista diante de um adversário capaz de usar sua própria identidade contra ele, ameaçando seus planos de liberdade e reencontro com a família.
A trama começa quatro anos após os acontecimentos da terceira parte. Perto de concluir sua pena em uma prisão de segurança máxima, Assane planeja deixar o passado para trás e reconstruir a relação com o filho, Raoul (Théo Christine). Seus planos, porém, são interrompidos quando dois roubos a museus acontecem simultaneamente em Paris, ambos assinados com o nome de Lupin. O problema é que Assane continua preso, o que transforma o caso em um mistério que coloca sua reputação e sua liberdade em risco.
Omar Sy continua sendo o grande destaque de Lupin
A principal força de Lupin: Parte 4 continua sendo a atuação de Omar Sy. O ator mantém o carisma que define Assane Diop, equilibrando confiança, humor e inteligência sem tornar o personagem excessivamente invulnerável. Mesmo quando parece ter uma solução para cada problema, Assane conserva uma espontaneidade que torna seus truques envolventes.
Desta vez, entretanto, o protagonista precisa lidar com uma situação diferente. Em vez de conduzir um plano elaborado cujas etapas o público acompanha aos poucos, ele precisa investigar as estratégias de alguém que conhece seus métodos e consegue reproduzi-los. A mudança acrescenta uma camada interessante ao suspense, já que compreender o funcionamento dos roubos não significa necessariamente descobrir quem está por trás deles.
A situação também estabelece uma ligação com o passado de Assane. Assim como seu pai foi vítima de uma acusação injusta, ele agora corre o risco de ser responsabilizado por crimes que não cometeu. A possibilidade de Raoul enfrentar uma experiência semelhante reforça as consequências pessoais dessa nova ameaça.

Ação e espetáculo, mas com alguns problemas
Nos primeiros momentos, a quarta parte recupera o ritmo mais voltado à ação da temporada inicial. Os roubos apresentam sequências elaboradas, truques de ilusionismo e soluções que exploram a capacidade de Assane de antecipar os movimentos dos adversários. A produção também mantém o cuidado visual que caracteriza a série, transformando os golpes em grandes atrações.
No entanto, a busca por cenas cada vez mais espetaculares nem sempre favorece a narrativa. Lupin funciona melhor quando suas situações aparentemente impossíveis encontram explicações engenhosas e compreensíveis. Quando a produção privilegia o impacto visual, existe o risco de diminuir a satisfação de acompanhar o raciocínio por trás de cada golpe.
O uso de deepfakes e outras tecnologias de manipulação de imagens também combina com uma história sobre identidades falsas, mas pode facilitar demais determinadas reviravoltas. Se qualquer evidência pode ser fabricada digitalmente, o mistério corre o risco de depender mais das conveniências do roteiro do que da inteligência dos personagens.
Fora da investigação, a vida pessoal de Assane continua sendo uma fonte importante de conflito. Claire (Ludivine Sagnier) se aproximou de Benjamin (Antoine Gouy), o melhor amigo do protagonista, mostrando que o tempo passado na prisão não interrompeu a vida de quem ficou do lado de fora. Mesmo que consiga recuperar sua liberdade, Assane não poderá simplesmente voltar à realidade que deixou para trás.

Vale a pena assistir a Lupin: Parte 4?
Sim. A quarta parte mantém os principais elementos que consolidaram o sucesso da série na Netflix: o carisma de Omar Sy, os roubos engenhosos e uma investigação que coloca o protagonista diante de alguém tão habilidoso quanto ele. A nova identidade criminosa de Lupin oferece um conflito capaz de renovar a fórmula, enquanto os problemas familiares impedem que a história se limite a uma sucessão de golpes.
Ainda assim, o intervalo entre as temporadas pode dificultar a retomada para quem não se lembra dos acontecimentos anteriores, especialmente das relações entre os personagens e dos conflitos que levaram Assane à prisão. Além disso, o excesso de espetáculo ameaça, em alguns momentos, a lógica que torna seus planos tão interessantes.
No conjunto, Lupin: Parte 4 representa um retorno envolvente para o ladrão inspirado na criação literária de Maurice Leblanc. Assane passou anos tentando provar que ninguém conseguiria capturá-lo. Agora, precisa realizar um truque ainda mais complicado: convencer todos de que não foi ele quem cometeu os crimes que levam seu nome.