Disponível no Prime Video, Justiça Artificial (Mercy, 2026) chega cercado por expectativas e reações iniciais negativas. Dirigido por Timur Bekmambetov e estrelado por Chris Pratt e Rebecca Ferguson, o longa tenta combinar ficção científica, suspense e ação em uma narrativa centrada no uso extremo da inteligência artificial no sistema judicial. O resultado, no entanto, oscila entre entretenimento eficiente e escolhas narrativas que limitam o impacto da proposta. Confira a crítica do filme.
Ambientado em 2029, o filme apresenta um futuro próximo em que Los Angeles adota o chamado Tribunal da Misericórdia, um sistema de julgamento controlado por IA que promete decisões rápidas com base em dados digitais. Nesse contexto, acompanhamos o detetive Chris Raven (Pratt), que acorda preso e acusado do assassinato da própria esposa. Diante dele está a juíza virtual Maddox (Ferguson), responsável por conduzir um julgamento que pode terminar em execução imediata caso o réu não consiga reduzir seu índice de culpa em 90 minutos.
A premissa estabelece um cenário com potencial para discutir vigilância, privacidade e automação da justiça. O roteiro de Marco van Belle até levanta essas questões, mas opta por tratá-las de forma superficial, priorizando a urgência da narrativa em tempo real. A contagem regressiva funciona como motor dramático eficiente, mantendo o espectador engajado, ainda que o desenvolvimento dos conflitos careça de maior profundidade.
Bekmambetov também aposta na linguagem de “telas”, técnica já explorada em produções como Unfriended e Missing, utilizando câmeras de vigilância, celulares e interfaces digitais para construir a narrativa. Embora essa abordagem contribua para a imersão inicial, o excesso de estímulos visuais e cortes rápidos acaba tornando a experiência cansativa em alguns momentos, especialmente na segunda metade.
No centro do filme, Chris Pratt entrega uma atuação funcional, mas limitada pelas próprias condições da encenação. Grande parte do tempo, o personagem permanece imóvel, o que reduz o impacto físico que costuma ser um diferencial em seus papéis. Já Rebecca Ferguson, apesar da presença, é restringida a uma performance vocal como a inteligência artificial Maddox, o que impede maior exploração dramática.

Narrativamente, Justiça Artificial sofre com conveniências de roteiro e soluções apressadas. A investigação conduzida por Raven depende de conexões rápidas e pouco desenvolvidas, transformando o protagonista em um solucionador quase instantâneo de pistas complexas. Além disso, reviravoltas previsíveis e um terceiro ato que abraça o exagero diminuem o peso das revelações.
Crítica: vale à pena assistir Justiça Artificial no Prime Video?
Ainda assim, o filme mantém um valor de entretenimento. O ritmo acelerado, a estrutura em tempo real e o uso de tecnologia criam momentos de tensão que sustentam o interesse até o final. Quando a trama assume seu tom mais absurdo, especialmente no clímax, há um certo grau de diversão que compensa parcialmente as fragilidades.
No fim, Justiça Artificial (Mercy) não alcança o potencial de sua proposta, mas também está longe de ser um fracasso completo. Trata-se de um thriller de ficção científica que funciona como passatempo, ainda que deixe a sensação de que poderia ter explorado melhor suas ideias centrais.