Disponível no Prime Video, Jester – A Morte Sorri (2023) é um filme de terror dirigido por Grant Singer e estrelado por Michael Sheffield que parte de uma ideia interessante, mas encontra dificuldades para desenvolver sua proposta ao longo da narrativa. O longa aposta em um vilão visualmente marcante e em temas como luto, abandono e conflitos familiares, porém esbarra em escolhas de roteiro e direção que comprometem o impacto da experiência.
Sinopse do filme de terror
A trama se inicia durante o período de Halloween, quando duas meias-irmãs afastadas se reencontram no funeral do pai. Emma, a filha mais velha, acredita que o homem tirou a própria vida após uma tentativa frustrada de reconciliação. Aos poucos, no entanto, o filme revela que a morte foi causada por uma entidade sobrenatural conhecida como Jester, um bobo da corte que passa a perseguir as duas jovens.
Emma carrega ressentimentos profundos por ter sido abandonada pelo pai ainda na infância, enquanto Jocelyn, a irmã mais nova, lamenta a perda de uma relação afetuosa e constante. O contraste entre as duas experiências poderia render um conflito emocional mais consistente, mas o roteiro opta por diálogos excessivamente explicativos, que enfraquecem a construção das personagens. Ainda assim, a ideia de unir as duas irmãs diante de uma ameaça comum funciona como motor narrativo.
O grande destaque do filme é o próprio vilão. O Jester possui um design que chama atenção, com figurino em tons de laranja e preto, máscara expressiva, cartola e bengala. A estética remete diretamente a outros ícones recentes do terror, como Art, o Palhaço, da franquia Terrifier. Nesse sentido, o trabalho de direção de arte ajuda a criar uma presença constante em cena, mesmo quando o suspense falha em se sustentar.
Por outro lado, o filme nunca se preocupa em explicar a origem ou a motivação do antagonista. A ausência de informações pode funcionar em certos casos, mas aqui soa mais como uma lacuna de roteiro do que uma escolha narrativa consciente. Michael Sheffield, que além de interpretar o vilão também assina o roteiro, entrega uma atuação funcional, embora distante do carisma e da ameaça que personagens semelhantes já apresentaram no gênero.

Crítica: Vale à pena assistir Jester no Prime Video?
No aspecto técnico, Jester – A Morte Sorri sofre com efeitos visuais pouco convincentes e sustos previsíveis. A tentativa de tratar o terror de forma séria não encontra respaldo na construção da tensão ou no ritmo da direção. O resultado é um filme que raramente provoca medo e que se apoia mais na presença constante do vilão do que em situações realmente inquietantes.
Dentro do subgênero de palhaços e figuras grotescas assassinas, o longa encontra dificuldade para se destacar. Não chega a ser entediante, mas tampouco apresenta originalidade suficiente para se firmar entre produções mais memoráveis. Jester – A Morte Sorri acaba sendo um exemplo de conceito interessante que não alcança todo o seu potencial na execução.