Iron Lung (2026) | Crítica do filme de Markiplier Iron Lung (2026) | Crítica do filme de Markiplier

Iron Lung (2026) | Crítica do filme de Markiplier

A estreia cinematográfica de Mark Fischbach, o mega YouTuber conhecido como Markiplier, é um caso de estudo sobre o poder das comunidades online. “Iron Lung“, filme totalmente financiado e idealizado por ele, conquistou um feito impressionante: estreou em mais de 3.000 salas nos EUA e chegou ao 2º lugar nas bilheterias, desbancando produções multimilionárias com marketing zero. O fenômeno comercial, no entanto, esbarra em uma realidade artística mais dura: o longa é uma experiência claustrofóbica e monótona, que estica demais uma premissa minimalista.

Baseado fielmente no jogo de terror espacial de 2022 de David Szymanski, “Iron Lung” se passa em um futuro distópico onde um evento chamado “O Arrebatamento Silencioso” extinguiu estrelas e planetas. A última esperança da humanidade reside em um oceano de sangue em uma lua distante. Para explorá-lo, é enviado o “condenado” Simon (interpretado por Markiplier), um prisioneiro em busca de redenção, pilotando sozinho o submarino batizado de Iron Lung.

“Iron Lung” como experiência claustrofóbica através do peso da solidão e do tédio

Grande parte do filme se passa dentro da cápsula metálica, escura e decadente do submarino. Markiplier é o único rosto em tela por quase duas horas, comunicando-se apenas por rádio com vozes fantasmagóricas (que eu não esperava, mas tem o gigante do Troy Baker e da Caroline Rose Kaplan). A intenção é clara: mergulhar o espectador na angústia e no isolamento absoluto do protagonista.

No entanto, essa opção radical expõe as grandes fraquezas do roteiro e da direção. A narrativa é excessivamente vaga: as missões de Simon são mal explicadas, o worldbuilding (a construção de mundo) é confuso e entregue em diálogos abafados pela trilha sonora, e a trama avança a passo de tartaruga. Perceba: tédio não é um problema no cinema. Mas o público passará longos minutos assistindo o personagem girar botões, anotar dados em papel e olhar para telas estáticas de baixa resolução. A sensação é menos de tensão palpável e mais de tédio prolongado.

Os acertos técnicos e o problema do ritmo em “Iron Lung”

Apesar dos problemas narrativos, “Iron Lung” não é um filme amador. O design de produção, herdado do jogo e com clara inspiração no clássico de Ridley Scott, “Alien”, é convincente. A fotografia Philip Roy e a trilha sonora de Andrew Hulshult criam uma atmosfera densa e ansiosa. Markiplier, afastando-se de sua persona hiperativa do YouTube, possui uma atuação que se contém e se adequa ao tom mais sombrio adotado.

Um dos maiores erros no roteiro é de arrastar toda a trama por mais duas horas. Fica claro que a premissa tem material o suficiente para um curta-metragem impactante. A ação e os elementos de horror corporal (com promessa de muito sangue) só surgem no finalzinho, tarde demais para resgatar a atenção perdida. A repetição de cenas e a falta de clareza sobre os objetivos de Simon esvaziam o suspense.

YouTubers se aventurando no cinema é algo novo e interessante

“Iron Lung” é, acima de tudo, uma prova do poder de fogo de um criador de conteúdo e de sua comunidade. Sua trajetória de sucesso comercial é uma história inspiradora para o cinema independente. Markiplier não foi o primeiro YouTuber e nem será o último. Recentemente, tivemos os irmãos Danny e Michael Philippou com os elogiados “Fale Comigo” (leia a crítica) e Faça Ela Voltar, e em breve Kane Pixels chegará com a adaptação para os cinemas de “The Backrooms” envolvendo a A24.

No fim, o público terá um thriller espacial eficiente, mas, “Iron Lung” é um mergulho em águas rasas e paradas, que promete mais terror do que realmente entrega. Um experimento corajoso, mas que afunda sob o peso de suas próprias limitações.