A Netflix acaba de adicionar ao catálogo Irmãos de Orfanato (Les Orphelins, 2025), e o filme francês rapidamente alcançou o primeiro lugar entre os mais assistidos da plataforma. Dirigido por Olivier Schneider, o longa aposta sem rodeios no cinema de ação, com ritmo acelerado e foco absoluto no entretenimento. O resultado é uma produção que se distancia do estereótipo do drama francês televisivo e se aproxima mais do thriller de ação clássico, com estrutura direta e cenas pensadas para causar impacto imediato.
O protagonismo fica a cargo de Alban Lenoir, nome já consolidado no cinema de ação francês recente. Após trabalhos como AKA e a trilogia Bala Perdida, o ator volta a interpretar um personagem físico, pragmático e guiado por lealdades pessoais. Ao seu lado está Dali Benssalah, que funciona como contraponto narrativo e emocional, formando uma dupla que sustenta boa parte do filme. A presença de Sofia Faïdi completa o trio central, evitando o papel passivo comum a personagens jovens em tramas do gênero.
A trama do filme francês
A história acompanha Gab e Driss, dois amigos de infância que retornam à região dos Pirenéus Atlânticos após um acidente envolvendo alguém ligado ao orfanato onde cresceram. A partir desse ponto, o roteiro assinado por Nicolas Peufaillit constrói uma primeira metade mais contida, dedicada a apresentar vínculos, passados compartilhados e dilemas pessoais. Essa escolha ajuda a diferenciar o filme de produções que entram diretamente na ação sem contextualização, criando uma base dramática que dá peso às decisões posteriores dos personagens.
Quando a trama avança para o conflito principal, Irmãos de Orfanato assume de vez sua identidade como filme de ação. Perseguições, confrontos físicos e tiroteios são encadeados de forma clara, sem cortes excessivos ou confusão espacial. A experiência de Olivier Schneider como dublê em produções como 007 – Sem Tempo Para Morrer se reflete na encenação das cenas, que privilegiam a fisicalidade e a compreensão do movimento. Há ecos de clássicos do cinema policial dos anos 1980 e 1990, especialmente na combinação entre tensão, humor pontual e confrontos diretos.
Outro ponto relevante é a recusa do filme em transformar sua personagem feminina em mero gatilho narrativo. A jovem envolvida no conflito tem agência própria e participa ativamente das escolhas que movem a história, o que evita a estrutura simplificada da “donzela em perigo”. Essa decisão contribui para que o filme mantenha um tom mais equilibrado, mesmo quando abraça soluções narrativas familiares ao gênero.

Crítica: vale à pena assistir Irmãos de Orfanato na Netflix?
No conjunto, Irmãos de Orfanato se apresenta como um exemplo claro de como o cinema francês de ação tem buscado diálogo com modelos internacionais sem abandonar sua identidade. Sem pretensão de reinventar o gênero, o longa entrega uma narrativa coesa, personagens funcionais e cenas bem executadas. Não surpreende que tenha alcançado rapidamente o topo do ranking da Netflix, já que oferece exatamente o que promete: um filme direto, físico e pensado para prender a atenção do começo ao fim.