O novo documentário “Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt”, disponível na Netflix, vai além das manchetes sensacionalistas para investigar um caso chocante de manipulação psicológica e abuso infantil que se desenrolou à vista de milhões de seguidores online.
Dirigido por Skye Borgman (“Desconhecido: O Golpe do Ensino Médio”), o filme reconstrói a relação tóxica entre a influenciadora mórmon Ruby Franke, do extinto canal familiar “8 Passengers”, e a conselheira e “coach de vida” Jodi Hildebrandt. Essa “amizade” culminou na prisão de ambas por crimes graves contra duas das crianças Franke.
A narrativa começa com um momento decisivo: as imagens de câmera de segurança que mostram o filho de 12 anos de Ruby, visivelmente ferido e desnutrido, fugindo da casa de Hildebrandt e pedindo ajuda em agosto de 2023. “Se aquele menino não tivesse escapado naquele dia, acho que aquelas crianças provavelmente não estariam conosco hoje”, comentou a diretora Skye Borgman. A descoberta da criança e de sua irmã de 9 anos, mantidas em cativeiro e sofrendo abusos na residência da conselheira, foi a ponta do iceberg de um esquema de controle metódico.
Influencer do Mal mostra a manipulação através da fé
O documentário mostra como Hildebrandt, fundadora da empresa ConneXions e uma voz respeitada dentro da comunidade A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (também conhecida como “Igreja dos Mórmon” no Brasil) em Utah, usou sua autoridade percebida para se infiltrar e dominar a vida da família Franke. Sob o pretexto de “consertar” a dinâmica familiar, ela isolou Ruby de seu marido, Kevin, e aplicou uma doutrina de controle coercitivo, distorcendo conceitos religiosos para justificar punições extremas às crianças.
“Esse tipo de comportamento manipulador e controle coercitivo pode acontecer bem diante dos seus olhos”, disse Borgman. O filme também mostra que os abusos foram, em certo sentido, cometidos em “transmissão ao vivo”, já que Ruby postava vídeos sobre disciplina parental para centenas de milhares de inscritos em seu canal, enquanto a situação em casa deteriorava-se sob a influência de Hildebrandt.

Mas onde e como estão os envolvidos de Influencer do Mal?
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Jodi Hildebrandt: Foi condenada a quatro penas consecutivas de 1 a 15 anos de prisão por quatro crimes de agressão grave a menores. Cumpriu pena na Instalação Correcional do Estado de Utah. Segundo Borgman, mesmo na prisão, Hildebrandt continua seus padrões, formando grupos com outras detentas e tentando “aconselhá-las”.
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Ruby Franke: Recebeu a mesma sentença que Hildebrandt e está na mesma prisão, mas em alas separadas. Gravações de áudio da prisão no documentário indicam que Ruby começou a se distanciar da influência de Hildebrandt. Seu divórcio de Kevin Franke foi finalizado em março de 2025.
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Kevin Franke: Após a condenação da ex-esposa, Kevin tornou-se um defensor de leis mais rígidas de proteção à criança em Utah. Ele obteve a custódia total dos quatro filhos menores. Em 2025, casou-se novamente.
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Os filhos do casal Franke: Os dois filhos mais velhos, Shari e Chad, são adultos e reconstroem suas vidas longe do holofote. Shari publicou um livro de memórias em 2025. Os quatro filhos menores estão sob os cuidados do pai, Kevin. As identidades das crianças diretamente vítimas do abuso permanecem protegidas.
O documentário traz um alerta sobre controle coercitivo?
“Influencer do Mal” serve como um estudo de caso assustador sobre como a manipulação pode florescer em ambientes de confiança blindada, como comunidades religiosas fechadas, e ser amplificada pela cultura das mídias sociais. O documentário dá voz a ex-clientes de Hildebrandt, que detalham a metodologia de isolamento, distorção de linguagem e destruição de vínculos familiares empregada pela conselheira.
Ao expor a mecânica por trás do caso Franke-Hildebrandt, o filme de Skye Borgman levanta questões urgentes sobre responsabilidade, a interseção entre fé e abuso, e os perigos reais que podem se esconder atrás de conselhos disfarçados de piedade.