I Love NY encerra a temporada de estreia da comédia
O episódio 8 de I Love LA, intitulado “I Love NY”, encerra a primeira temporada da comédia criada e estrelada por Rachel Sennott com uma mudança simbólica de cenário. Ao levar Maia, Tallulah e Alani para Nova York, a série usa a cidade como contraponto direto a Los Angeles, ampliando conflitos emocionais, profissionais e afetivos que vinham se acumulando desde o início da trama. O resultado é um final inquieto, fragmentado e propositalmente desconfortável — fiel à proposta da série. Confira a crítica e resumo do que rolou no final:
Recapitulação do episódio 8 (final) de I Love LA
Viagem para Nova York e tensões mal resolvidas
A narrativa começa com Maia tentando manter algum controle sobre o relacionamento com Dylan. Após chegar a Nova York, ela envia uma mensagem avisando que está bem, mas se frustra ao receber apenas um emoji de joinha como resposta. O gesto simples expõe o distanciamento entre os dois: eles não terminaram oficialmente, mas o “tempo” entre eles já se tornou um abismo emocional.
O trio segue para uma prova de roupas da marca Forme. Enquanto as modelos recebem looks chamativos, Tallulah acaba vestindo um vestido simples de veludo preto. A frustração dela revela um choque de realidade: naquele ambiente, sua relevância é limitada. Tallulah não é vista como modelo ou criadora de moda, mas como alguém cuja fama vem de vídeos virais e comportamentos impulsivos — algo que a série faz questão de sublinhar.
Charlie, Dylan e a dificuldade de romper ciclos
Em Los Angeles, Charlie aparece a pedido de Maia para “espionar” Dylan. Ele o encontra reorganizando a cozinha, checando temperos e datas de validade — uma metáfora clara para alguém tentando colocar a própria vida em ordem. A simples decisão de responder ou não às mensagens de Maia se transforma em um dilema emocional para Dylan, que já não sabe exatamente por que está magoado, apenas que está.
Charlie, como de costume, assume o papel de catalisador do caos. Ele relembra Dylan de suas frustrações, mas também projeta suas próprias inseguranças, especialmente ao falar de Andrew. A conversa cria uma conexão entre os dois, ainda que baseada mais em ressentimentos compartilhados do que em soluções reais.
Ben, poder e humilhação em Nova York
De volta a Nova York, Maia reencontra Ben, figura que representa uma combinação tóxica de charme, poder financeiro e desprezo velado. Ele insulta Tallulah enquanto tenta seduzir Maia e, convenientemente, deixa o cartão corporativo disponível quando Maia admite que a viagem não está sendo paga pela Forme.
No dia seguinte, após uma noite de excessos, Maia e Tallulah acordam com tatuagens inesperadas — marcas literais de impulsividade. Para Tallulah, o problema é ainda maior, já que a tatuagem ficará visível com o vestido escolhido para o evento.

Enquanto isso, Maia se prepara para encontrar Ben novamente. O encontro, porém, toma um rumo cruel: ele se diverte humilhando-a antes de oferecer um emprego com salário altíssimo, transformando o gesto em mais uma demonstração de controle. A proposta escancara o tipo de ambiente em que Maia poderia prosperar financeiramente, mas ao custo de sua autonomia emocional.
Alani e a ruptura da ilusão familiar
Paralelamente, Alani vive um choque pessoal ao descobrir uma suposta namorada do pai. A situação rapidamente escala para o absurdo quando se revela que Denise é, na verdade, uma perseguidora que o ataca fisicamente. Apesar do susto, a cena reforça o isolamento emocional de Alani e sua constante dificuldade de distinguir afeto real de fantasia.
Desencontros finais e decisões irreversíveis
Charlie viaja para Nova York, entrega um vestido para Tallulah e confirma que Dylan sente falta de Maia. Mesmo assim, quando Maia tenta ligar para o namorado, ele não atende. Dylan está com Claire, concretizando uma ruptura que vinha sendo construída silenciosamente ao longo do episódio.
Com ruas bloqueadas por conta de um perseguidor, Maia e Tallulah acabam usando o metrô para chegar a um jantar. O trajeto termina com um encontro desconfortável com um homem carregando um rato, cena que faz Maia desejar, mais uma vez, estar de volta a Los Angeles — mesmo com tudo o que isso representa.

Explicação do final de I Love LA
- Por que Tallulah incentiva Maia a aceitar o emprego em Nova York?
Tallulah sente o peso de ser a única cliente de Maia e acredita que a amiga merece algo maior. Ao mesmo tempo, a proposta representa uma possível libertação para ambas. - Por que Maia rasga a proposta de Ben?
Ao perceber o nível de manipulação envolvido, Maia entende que o dinheiro não compensa a perda total de autonomia. É uma decisão rara de lucidez em sua trajetória. - Por que Dylan dorme com Claire?
Ele interpreta o foco de Maia no trabalho como confirmação de suas inseguranças. Para Dylan, o gesto simboliza o fim de uma espera que ele já não sabe sustentar. - Por que Charlie leva sushi para Andrew?
O ato funciona como um retorno emocional a um momento marcante do passado, revelando a dificuldade de Charlie em seguir em frente.
Crítica da 1ª Temporada de I Love LA
Um final coerente com o caos da série
“I Love NY” encerra a primeira temporada sem oferecer conforto ou resoluções fáceis. I Love LA opta por um final que espelha seus personagens: fragmentado, impulsivo e emocionalmente instável. Ao trocar Los Angeles por Nova York, a série não busca redenção, mas contraste.
O episódio final deixa claro que, mais do que uma sátira sobre influenciadores, I Love LA é uma observação amarga sobre ambição, dependência emocional e a incapacidade de crescer quando tudo vira performance. Um encerramento provocador, que abre espaço para uma segunda temporada ainda mais incômoda — caso ela aconteça.