Desde sua criação nos anos 1970, a Hello Kitty se tornou um dos personagens mais reconhecidos do mundo. Ao mesmo tempo, especialmente no Ocidente, a figura criada pela Sanrio passou a ser cercada por teorias conspiratórias que apontam para uma suposta origem macabra. Histórias sobre pactos, maldições e simbolismos ocultos se espalharam pela internet ao longo das últimas décadas. Mas o que há de real por trás da personagem? A resposta é direta: não existe nenhuma história de terror ligada à Hello Kitty.
A história oficial, confirmada reiteradamente pela Sanrio, é bem mais simples — e também mais coerente com o contexto cultural em que a personagem surgiu.
A criação da Hello Kitty pela Sanrio
A Hello Kitty foi criada em 1974 pela designer japonesa Yuko Shimizu, que trabalhava para a Sanrio, empresa fundada em 1960 com foco em produtos decorativos e presentes. Naquele momento, o Japão vivia a consolidação da chamada cultura kawaii, marcada por personagens fofos, simples e emocionalmente acessíveis.
O primeiro produto da Hello Kitty foi uma pequena bolsa de vinil. A ideia da Sanrio não era criar uma personagem complexa, mas um símbolo visual que transmitisse simpatia e proximidade. O sucesso foi imediato, levando à expansão da personagem para cadernos, brinquedos, roupas e, posteriormente, para o mercado internacional.
Shimizu deixou a empresa poucos anos depois, e outros designers assumiram o desenvolvimento visual e narrativo da personagem, mantendo a proposta original.

Quem é Hello Kitty segundo a história oficial
Ao contrário do que muitos acreditam, a Hello Kitty não é uma gata. De acordo com o perfil oficial divulgado pela Sanrio, ela é uma menina britânica chamada Kitty White, nascida em 1º de novembro. Ela tem oito anos, mora em Londres com seus pais e sua irmã gêmea, Mimmy, e gosta de atividades como fazer biscoitos, tocar piano e passar tempo com os amigos.
A escolha de uma personagem britânica reflete uma tendência cultural do Japão nos anos 1970, quando elementos da estética europeia — especialmente inglesa — eram associados a elegância e delicadeza.
Por que a Hello Kitty não tem boca?
A ausência de boca é um dos aspectos que mais alimentaram teorias conspiratórias, mas a explicação é simples e confirmada pela Sanrio. A personagem foi desenhada sem boca para funcionar como um espelho emocional. Dessa forma, cada pessoa pode projetar seus próprios sentimentos na Hello Kitty, seja alegria, tristeza ou conforto.
Essa característica torna a personagem universal, permitindo identificação emocional independentemente de idioma, cultura ou idade.
Desmistificando a suposta “origem macabra”
As histórias que associam a Hello Kitty a pactos, doenças ou maldições não têm qualquer base histórica ou cultural. Elas surgiram majoritariamente em fóruns e redes sociais ocidentais, sem ligação com tradições japonesas ou com a própria Sanrio.
A empresa já negou oficialmente essas narrativas diversas vezes, reforçando que a personagem foi criada exclusivamente como um símbolo de amizade, gentileza e empatia. No Japão, essas teorias nunca fizeram parte do imaginário popular em torno da personagem.

O impacto cultural da Hello Kitty no mundo
Com mais de cinco décadas de existência, a Hello Kitty se tornou um fenômeno global. A personagem ultrapassou o universo infantil e passou a dialogar com públicos diversos, sendo usada em campanhas de saúde, educação e sustentabilidade.
A Sanrio já firmou parcerias com organizações internacionais, incluindo projetos ligados à ONU, utilizando a imagem da Hello Kitty para promover mensagens de convivência, cuidado e responsabilidade social.
Concluindo (e desmistificando…)
A ideia de uma “origem macabra” da Hello Kitty é um mito moderno, alimentado pela desinformação e pela cultura digital. A história real da personagem é um reflexo do contexto cultural japonês dos anos 1970 e de uma estratégia criativa focada na empatia emocional.
Longe de qualquer simbolismo sombrio, a personagem permanece como um dos maiores ícones da cultura pop mundial — simples, acessível e construída para acolher sentimentos, não para assustar.