Em primeiro lugar no Top 10 da HBO Max, Harpía: Presença Maligna (The Beldham, 2025) chama atenção por utilizar um elemento clássico do folclore para conduzir uma narrativa centrada menos no sobrenatural e mais nos conflitos familiares. Escrito e dirigido por Angela Gulnes, o filme se apoia na figura da beldham — criatura associada a bruxas e aves — como ponto de partida para uma história sobre maternidade, medo e relações marcadas por vigilância e desconfiança. Lei a nossa crítica do filme de terror:
A trama acompanha Harper (Katie Parker), uma mulher que acaba de se tornar mãe e retorna à casa de campo da própria mãe, Sadie (Patricia Heaton), levando consigo a filha recém-nascida, Christine. O retorno não ocorre por nostalgia, mas por necessidade. Harper ainda se recupera de um acidente recente e aceita ajudar Sadie a organizar a propriedade, que está à venda. Desde os primeiros momentos, porém, o ambiente se mostra instável, com ruídos inexplicáveis, pássaros invadindo a casa e uma sensação constante de ameaça.
Sadie vive agora com Frank (Corbin Bernsen) e conta com a ajuda de Bette (Emma Fitzpatrick), uma assistente que rapidamente desperta a desconfiança de Harper. Para a protagonista, a presença da funcionária parece mais um mecanismo de controle do que apoio. A tensão entre mãe e filha se intensifica à medida que Harper passa a acreditar que algo sobrenatural tenta ferir sua bebê, enquanto Sadie enxerga o comportamento da filha como um retorno a padrões considerados perigosos e impulsivos.
Angela Gulnes constrói o terror a partir dessa divergência de percepções. Harpía: Presença Maligna não se apressa em revelar sua criatura nem em recorrer a sustos fáceis. O filme aposta em uma progressão lenta, onde situações cotidianas — como um jantar em família ou conversas aparentemente banais — carregam um peso crescente. A casa deixa de ser apenas cenário e passa a funcionar como extensão do conflito emocional entre as personagens.
O ritmo apresenta pequenas oscilações no segundo ato, quando a narrativa parece segurar informações antes da virada final. Ainda assim, a direção mantém coerência ao priorizar atmosfera e tensão psicológica, usando o horror como reflexo das relações de poder e cuidado entre gerações.

Crítica: vale à pena assistir Harpía: Presença Maligna na HBO Max?
As atuações sustentam o filme. Patricia Heaton, conhecida por papéis cômicos na televisão, explora aqui registros mais contidos, alternando fragilidade e rigidez com naturalidade. Katie Parker entrega uma personagem marcada pelo esgotamento e pela vigilância constante, sem perder de vista o vínculo materno que define suas decisões. A dinâmica entre as duas estabelece o eixo dramático do longa, enquanto Emma Fitzpatrick ocupa um espaço ambíguo que reforça a sensação de cerco.
Inserido na tradição de filmes de terror que abordam a parentalidade — como O Exorcista, O Babadook e Relic —, Harpía: Presença Maligna não busca reinventar o gênero, mas oferece uma abordagem consistente. Ao equilibrar drama familiar e horror psicológico, o filme se destaca como uma produção independente que encontrou ressonância junto ao público da HBO Max, sustentando seu impacto mais pelo desconforto prolongado do que pelo choque imediato.